sábado, 8 de janeiro de 2011

2011 e o espírito republicano

Camaradas,

No melhor estilo "carta aberta ao povo brasileiro", escrevo a primeira (e espero que não única) postagem de 2011.

O Brasil vive um grande momento. Conseguimos eleger a primeira presidenta e, sobre ela, depositamos enorme expectativa. É hora de trabalhar para a continuidade e, se possível, a expansão do processo de desenvolvimento da nação.

Devemos continuar com o otimismo e lutar pela industrialização de setores estratégicos junto a um maior grau de autonomia tecnológica. O sistema educacional deverá ser fortalecido, estabelecendo um diálogo maior com a sociedade, grampeando nos alunos a formação cidadã, para além do currículo escolar.

Da agonia dos anos 1990, chegamos à segunda década do séc XXI com perspectivas nunca previstas. Somos credores de bancos internacionais, temos as maiores empresas agropecuárias do mundo, a maior mineradora, os maiores bancos do hemisfério sul. Mas ainda ostentamos os maiores índices de distribuição desigual de renda, um grande número de pessoas vivendo com menos de US$ 1 por dia, milhões de pessoas que ainda passam fome (assistam Garapa, de José Padilha), um déficit habitacional enorme e pessoas vivendo em condições insalubres nas periferias desestruturadas das grandes metrópoles.

O bônus da recente expansão econômica deverá, impreterivelmente, ser usado para a superação dessas condições inadequadas. Os bancos devem financiar com menor taxa de "usura", os direitos trabalhistas deverão ser ampliados, jamais sufocados; o sistema previdenciário deverá ser expandido para o melhor atendimento universal; as empresas nacionais devem ser fortalecidas; o fomento ao desenvolvimento tecnológico deve ser amplamente apoiado com bases socialmente justas, definindo metas para redução da pobreza intelectual do nosso país.

Devemos aproveitar a herança do ex-presidente Lula e seguir com os rumos da nova república, com fortalecimento das instituições democráticas, com a expansão dos planos participativos, através dos quais se pode alcançar a superação da política "personificada".

Para além do maniqueísmo respingado do império, a república brasileira deverá ser una, ainda que o exercício da oposição seja extremamente necessário. Mas urge superar o fetichismo do poder, por um projeto legítimo de desenvolvimento nacional, onde as forças contraditórias exerçam seu papel no sentido de alavancar a fonte de cidadania na sociedade.

O apoio ao florescimento cultural é imprescindível, pois as expressões iconográficas, literais e musicais são formas representativas do "caldo" intelectual de um país. É onde a polissemia não encontra exagero, onde a manifestação popular ganha cores e raízes com o lugar, com a terra, com a nação.

Um projeto de país somente se concretiza mediante fortalecimento desse conjunto de variáveis.

As condições estão dadas e nos resta, somente, aproveitá-las.

Acredito no Brasil, acredito em nosso desenvolvimento. O espírito republicano está presente. Apoio-me, portanto, fortemente nesse espírito, para, com toda altivez e firmeza, dizer:

Viva o Brasil - e agora sim - o país do futuro.

Força!

Grande abraço e um grande 2011 para nós!

sábado, 3 de abril de 2010

Sobre o V Forum Urbano Mundial

Semana passada o Brasil recebeu o V Forum Urbano Mundial. Evento com o "selo" ONU, programada pela UN-Habitat, ocorreu entre os dias 22 e 26 de março na bela - e quente, cidade do Rio de Janeiro.

Uma rápida palavra sobre a organização: excepcional! Respeito britânico aos horários, tradução instantânea para 3 idiomas, apoio tecnológico infalível, ar condicionado beirando a temperatura glacial (e isso foi muito importante!), debates essencialmente democráticos com a participação ostensiva do público, entre outros detalhes tão importantes quanto os citados.

No próprio emblema do evento, o slogan "O direito à cidade - unindo o urbano dividido" sugere um viés incomum sobre racionalidade da produção dos espaços urbanos. A expectativa era grande. Um público com sede de mudanças, cada qual com sua experiência, com sua história de gestão local, sua ação enquanto movimento social ou apenas enquanto cidadão. Tal qual o subtítulo do evento indica, se gerou grande expectativa por novas idéias, paradigmas capazes de promover a superação das contradições sociais existentes no modelo de construção das cidades do século XXI.

As mesas, inteligentemente montadas, eram compostas por administradores públicos, líderes de movimentos sociais, pesquisadores e representantes do setor privado. Ainda assim, mesmo os menos críticos ficariam desapontados com a essência do resultado que se viu. Muitos projetos urbanísticos, apresentados por arquitetos, engenheiros e urbanistas. Incontáveis sugestões e exemplos de administrações como a da prefeita (linda!) de Johanesburgo. Inúmeros debates sobre a importância da cultura na produção de habitação. Todas, sem exceção, experiências pusilânimes, natimortas, desencorajadas desde o nascedouro.

Consequentemente, logo notamos que o "direito à cidade" e a "indivisibilidade do urbano" são expressões antônimas em primeiro grau, isto é, não cabe interpretação sem a devida ruptura necessária da gestão do território urbano. Quiçá em sua totalidade. E os motivos são claros para quem o pensamento crítico é o princípio ativo. Pouco se questiona as engrenagens destrutivas do capitalismo. Nada se diz sobre a propriedade privada da terra, fator elementar quando se quer discutir o direito à cidade. Nenhuma discussão sobre as interações dos elementos do espaço (homens, firmas, instituições, meio físico, etc.). O que se viu foi uma grande sessão de psicanálise sobre a natureza das medidas paliativas para a pobreza. É como ir ao médico, doente, não questionar a doença, mas pensar no leito, no lençol, no lanchinho da tarde e na temperatura ambiente. Devo fazer justiça a alguns "voos solos" entre essa pletora de blá blá blá. Raquel Rolnik, Ermínia Maricato, Nabil Bonduki, Evaniza Soares, Edmílson Rodrigues, David Harvey, Peter Marcuse, entre outros.

A construção de um novo modelo urbano não irá ocorrer sem a averbação do pensamento crítico e pela própria crítica do pensamento. Não se trata de um cisma com o mercado, mas da maior interação das variáveis que compõem a estrutura do espaço urbano. E pensá-las como um sistema. Se pensarmos as variáveis isoladas teremos apenas abstração do real. Queremos pensar o espaço total - como diria Milton Santos, o espaço que escapa nossa apreensão empírica, pois as frações do espaço constituem o abstrato, pois seu valor sistêmico está no conjunto do todo a qual pertencem. Quero dizer que é válido discutir o problema do transporte em um bairro, da produção de habitação social nas áreas de ZEIS, do desemprego na zona "X" ou da favelização do bairro "Y". No entanto, essas variáveis se combinam e estuda-las sem contexto não traz soluções efetivas para a ruptura do modelo destrutivo que preside a construção do urbano em nossos países.

Esse evento, embora tenha apresentado uma rica oportunidade para a interação de diferentes modelos de gestão e troca de experiências, não induz ao pensamento daquilo que é mais crucial na produção da pobreza nas cidades do mundo inteiro. Enquanto não envidarmos, oficialmente, esforços para a superação das contradições sociais, para desmistificar o invólucro através do qual o capitalismo promove sua reprodução destrutiva, as cidades terão, cada vez mais, a cara da pobreza, da escassez e da miséria.

A produção eivada de um novo pensamento é a saída para o futuro das metrópoles. A globalização, enquanto fábula, se apresenta nesse modelo devastador, produtor de belas imagens, de iconografias homogêneas, da pop art de alguns países centrais. Contudo ela é perversa. E se tem algo que o capitalismo se provou altamente capaz, é a incorporação de discursos subersivos e sua perfeita utilização enquanto potencial para a reprodução ampliada do capital. Dessa cultura pobre-consumista.

E a ONU se tornou a instituição multilateral oficial desse processo.

Porém, talvez, espero eu, ela ainda o faça sem saber.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Discutindo as centralidades

A principal pauta da semana na agenda do noticiário foi o aniversário de São Paulo. E dia desses, nessas conversas casuais, o assunto sobre as múltiplas centralidades, sobre hierarquias urbanas estiveram presentes no "roteiro". Logo comecei a pensar sobre São Paulo e horas depois, já só, me concentrei um pouco sobre a validade da teoria dos lugares centrais, de Walter Christaller, e suas principais armadilhas interpretativas se quisermos jogar nossa cidade à luz dessa proposta - muito mais complexa do que a maioria dos geógrafos e arquitetos pensam!

(desculpem, pois serei muito breve na argumentação! Estou com pressa e vou ao sesc ver um show ainda hoje.)

É comum no meio acadêmico, sobretudo dentre pesquisadores urbanos, justificar as deficiências das cidades nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a uma possível utilização institucional da teoria dos lugares centrais. Vários arquitetos e urbanistas da geração pós 1985 e grandes geógrafos acometidos pela eterna síndrome da "crise da geografia" são ferrenhos críticos do nosso amigo alemão (W. Christaller). Dizem que a elaboração de "centros fora do centro" foi deliberadamente uma política, conduzida pelo Estado, claro, para eliminar a necessidade da mobilidade urbana e, ou, mais grave ainda, para evitar que pessoas trafeguem até o centro da cidade como forma de preservar certas áreas ainda nobres (Jardins, Bela Vista, Higienópolis, etc.)

Uma geógrafa "gloriosa" chegou a dizer, quando das comemorações dos 450 anos da cidade de São Paulo, em um debate no departamento de Geografia, que a instituição do bilhete único era uma maneira de criar novas centralidades logísticas e evitar que as pessoas precisem passar pelo centro da cidade (pois o mecanismo de integração reduziria o fluxo de embarques nas regiões centrais para aumentar nos terminais); De fato, algumas centralidades foram criadas e outras ampliadas (terminal santo amaro, lapa, cachoeirinha); Mas, ora, se a intenção era criar novas hierarquias fora dos perímetros do "miolo chique da metrópole", com intuito em erguer barreiras invisíveis ao deslocamento "periferia-centro", como explicar o aumento da concentração dos empregos no centro, o elevado número de embarques nas estações de metrô e trem do centro expandido, o fluxo de empresas do setor de serviços para novas zonas "pseudo-empresariais"? (pseudo pois o plano diretor ainda nao aprovou tal mudança)

Ou seja, a leitura rasa de uma rica e erudita teoria cria interpretações falhas e, no mínimo, equivocadas (eufemismo pra, bem, vcs sabem...) sobre as racionalidades que "costuram" o tecido urbano da nossa cidade.

A ideia central da teoria dos lugares centrais é o abastecimento com o mínimo deslocamento possível. Parece simples, mas não é! Enquanto não houver, nessas centralidades, emprego, serviços públicos, escolas, hospitais, lazer e uma "intra-infra-estrutura", o deslocamento para "A" região central ainda será o principal fluxo da cidade - e não que um dia deixará de ser, mas poderá ser diminuido. Se fizermos o exercício de classificação e hierarquizaçao das centralidades de Sao Paulo iremos notar todas as deficiências que a nossa amiga geógrafa e professora da USP não notou ao bradar o grito do "ah, o Estado é o responsável pelo esvaziamento do centro".

Então, a pergunta que fica é? São Paulo não cria novas centralidades em detrimento de seu próprio centro (fisicamente falando), logo, como explicar que em nossa hierarquia urbana o centro continua sendo o centro de todas as centralidades?

Vou mandar por e-mail com essa pergunta à nossa professora...

(...) com uma cópia, claro, de alguns artigos sobre a teoria dos lugares centrais,

Falô?!


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O real gargalo do desenvolvimento urbano

Olá, tudo bem?! Quanto tempo, hã!?

Gostaria de compartilhar com vcs o "espólio" dos pensamentos sobre um trabalho que fiz a respeito dos limites do desenvolvimento urbano no Brasil. Ao escrever as considerações finais, dissertava sobre a necessidade da volta de um planejamento centralizado, porém no qual a sociedade civil, através de suas instituições representativas, participassem com maior possibilidade de ingerência no resultado final.

Em alguns municípios, como Santo André, a participação dos movimentos sociais e da sociedade civil de modo geral ajudam a arquitetar o orçamento, as diretrizes de arrecadação dos tributos, o plano diretor, as emendas normativas, etc. Isto é, a sociedade consegue "alargar" o contexto da participação social na administração da cidade. Embora Santo André não seja uma cidade de pequeno porte, ela o é se comparada à grande metrópole que lhe avizinha.

Pensemos São Paulo. Como imaginar a participação popular numa metrópole controlada pela figura dos incorporadores imobiliários, por uma classe média patrimonial, onde a reprodução do capital é a assertiva mor e anda de par com aquele que seria sua antítese: a administração pública! Ora, alguns diriam que o Estado é o responsável e o grande beneficiado com essa estrutura urbana, pois, se pensarmos que ele, o Estado, nada mais é do que a representação pública com direito ao uso da força e da coerção de uma classe social ascendente (essa leitura é puramente gramciana!), quem iria administrar um "negócio" sem o desejo de torná-lo eficiente.

Então, e eu digo isso inspirado em Roberto Mangabeira Unger, antes de pensarmos na qualidade das políticas, temos de executar uma ampla reforma das instituições públicas e das esferas de representação nos três níveis federativos. Ao prescindir de entronizar a cidadania como finalidade objetiva maior, as políticas includentes de desenvolvimento urbano morrerão no nascedouro, isto é, não se retira a possibilidade de sua execução, mas determina a não possibilidade de seu fim.

A quebra dos pactos territorias urbanos que, com a anuência do Estado, criam esse "nepotismo de classe", deve anteceder a execução das boas idas do planejamento público, embebido de uma austeridade republicana e responsável. E aos liberais em demasia, um recado meu: a omissão do Estado sobre a gestão e regulação do uso do solo tem a capacidade de alimentar causas muito mais deletérias do que o "não uso" das ferramentas de controle e gestão dos territórios.

Por isso, pequem os rifles, as baionetas e corram para o front!

Pois eu vou jogar bola!

Um abraço,

Jonatas


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Entrevista Guido Mantega - BBC Londres

Pessoal,

Parece que a safra de entrevistas institucionais está boa. Nos mesmos moldes da entrevista com o Lula, nosso ministro da Fazenda concedeu uma entrevista-propaganda dos aspectos mais relevantes sobre a posição do Brasil na balança econômica e produtiva mundial. Com uma pitada ideológica, claro, é um pouco do "arroz com feijão" que o governo vem reforçando nos últimos dias.

Mais abraços

Entrevista do Presidente Lula à BBC/UK

Companheiros,

Com a intenção de prestar um serviço público de boa qualidade, faço questão de disponibilizar e divulgar uma entrevista que nosso presidente concedeu à agência britânica de notícias BBC. O vídeo está em português e possui cerca de 17 minutos. O pano de fundo da entrevista é a crise econômica atual, o ponto de inflexão do crescimento econômico brasileiro e a especulação que gerou a crise do sub-prime. Percebam que a discussão sobre o sub-prime nada mais é do que um eufemismo pra tratar da questão da renda da terra, cujos problemas e contradições, no Brasil, pretendem ser resolvidos com o programa MCMV.

Sem mais delongas, com vcs, o presidente Lula.

Abraços


domingo, 13 de setembro de 2009

A contra-revolução verde

Amigos, companheiros e camaradas,

Em nossa leitura sobre as contradições dos processos sociais e sobre o desenvolvimento é muito comum tentar esgotar a discussão dentro da esfera produtiva. Tentamos, de alguma forma, estudar a viabilidade do crescimento econômico e desenvolvimento com inclusão social. Nos inserimos em calorosas conversas, e debates que fariam inveja às assembleias da revolução francesa, para entender e projetar o crescimento qualitativo da produção, de forma inclusiva, democratizando as instituições públicas, desencadeando os "efeitos multiplicadores da geração de renda, execução da educação e redução da pobreza.

Bueno, naturalmente, partindo desses pressupostos, humanizamos a conversa partindo do princípio clássico de Richard Nixon (um liberal sem-vergonha e sem moral) de que "se precisar, iremos colonizar a lua e explorar suas riquezas, se houver alguma". Pois bem, e não é que Ricky Nixon foi visionário? Claro, não ele, mas seu "cast" político já percebia a proximidade do esgotamento da "cultura do carbono", com as crises do petróleo (73 e 78), a crise da produção de alimentos agrícolas, que hoje começa a se resumir nas bolsas de mercadorias e futuros, dada a escasez de terras para agricultura e o avanço das commodities nessas terras. O pai da revolução verde, morto semana passada aos 95 anos, ao tentar salvar milhões de pessoas da fome, miscigenando sementes, não poderia imaginar que a biologia experimental seria uma das maiores maldições da atual miséria alimentícia mundial. Bem, sem mencionar o esgotamento dos solos e a redução da fertilidade reprodutiva. Mas, claro, me apropriando da ironia, o que gostaria de enfatizar é a seguinte questão, logo abaixo.

Não podemos mais discutir desenvolvimento, crescimento econômico e desenvolvimento social, sem antes passarmos pelo acintoso debate sobre o modelo produtivo, sobre a matriz energética e sobre a sustentabilidade do planeta para tal desempenho. Não, não virei ambientalista (ainda que seja a ideologia que paira sobre nossas mentes), não estou vendendo a conversa do IPCC (órgão da ONU que propala a discussão ideologicamente) e não fui contratado por Al Gore (infelizmente, $$). A questão é muito mais ampla e não podemos ser maniqueístas a ponto de imaginar que se trata apenas de um debate ideológico (pois alguns acreditam que essa discussão é um instrumento de inviabilizar o crescimento das economias emergentes). Temos exemplos clássicos, estudos confiáveis e projeções preocupantes sobre o tema (cite uma, ministro, umazinha!). Alguns ambientalistas importantes alertam para o problema real, a despeito do cunho extremamente ideológico contido.

Por isso, gostaria que pensassem, junto comigo, sobre o assunto. Teríamos (nós, a Terra!) como sustentar um modelo de desenvolvimento calcado na produção de matriz energética do carbono? Ainda existiria espaço para mais "plastificação" do mundo? As resinas sintéticas oriundas do petróleo são a solução? Incluir mais pessoas no mercado consumidor não imprimiria um ritmo preocupante sobre as questões ambientas? Temos estrutura para sustentar uma cadeia produtiva de bens cada vez menos duráveis? China, Índia e Brasil, sem dúvida, serão os principais responsáveis pela cadeia de ações que deve moldar o tipo de produção e matriz energética dos próximos 100 anos. Mas, todavia, não estamos sozinhos, já que, ainda hoje, os países desenvolvidos são responsáveis por cerca de 80% das emissões (fonte: ONU).

Bem, para algumas respostas, deixo com vcs um programa que assisti em uma dessas madrugadas perdidas da vida....sonhando acordado, contando ovelhas (ou cabras, ou os dois), me deparei uma das figuras que mais respeito nesse país. Se há alguem para quem eu trabalharia de graça no mundo, certamente seria ele.

Finada a balela, com vcs o programa Cidades e Soluções, com entrevista do nosso glorioso e excelentíssimo Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Vai Palmeiras!

Abraços



quarta-feira, 3 de junho de 2009

Uma aula sobre a crise

Aos intrépidos,

Um amigo de longa data, Leonardo Nunes, economista, filósofo, futebolista e "brameiro", produziu um texto-resumo sobre a crise econômica atual. A "aula-texto" foi publicada no site do jornalista, sociólogo, político independente, Paulo Henrique Amorim, cujo link disponibilizo abaixo. Bem, o conteúdo é fundamentado na aula do professor de economia da Universidade de Massachussets, Richard Wolff, a qual assisti após a leitura do texto do companheiro Leo. Pelo conteúdo extremamente didático e, criticamente fantástico, tomei a liberdade de disponibilizar para os queridos leitores o vídeo com a aula. São 40 minutos de uma explicação bastante incomum, porém extremamente reveladora, do ponto de vista do âmago da crise atual. Confesso que fiquei entorpecido pela leitura dos artigos de economistas, sociólogos e até geógrafos renomados que, ao fazerem uma leitura do capitalismo "taken for granted", distorcem os fatos com interpretações mirabolantes e conservadoras. Para remediar esse "vírus", indico a leitura do artigo do nosso amabilíssmo Leo e, em seguida, à sessão com o professor Rick Wolff. Boa aula!

autoria: Leonardo Nunes e Tomas Rotta

domingo, 31 de maio de 2009

Minha casa, minha vida, minha taça....

A bola da vez na agenda político-econômica canarinha recai, duplamente, sobre a ministra Dilma Rousseff. A "mãe do PAC" agora acumula mais uma atribuição desafiadora: resolver o problema da habitação no país. Talvez, a palavra "resolver" seja pesada demais para as possibilidades concretas às mãos da ministra. Acelerado pela contingência da crise econômica, o programa "Minha casa, minha vida" tem 3 objetivos claros: 
1 sustentar a produção e o emprego em tempos de crise; 
2 reduzir o déficit habitacional nas grandes cidades;
3 alavancar a popularidade da companheira Dilma.

É sabido que o número maior de lares estimula, instiga mais demanda nos diversos setores produtivos de bens de consumo duráveis e não duráveis, acusa a expansão do crédito em diversas modalidades físicas e jurídicas, acelera a regularização dos assentamentos precários e irregulares, etc. Não se trata de um programa de fim essencialmente político, embora tenha muito disso. Temos que observar, com atenção, a necessidade e as oportunidades detrás desse programa. O "tombo" dos juros do crédito imobiliário, visando atrair a camada mais pobre da população, é um sintoma de que espera-se uma movimentação brusca das classes C e D. É uma oportunidade, outrossim, do diálogo com as entidades, os movimentos sociais, as cooperativas, no sentido de promover a alforria imobiliária aos escravos da habitação precária e irregular. Antes de cair na tentação de olhar o programa MCMV como mero canal de obtenção do objetivo 3, listado acima, prestemos atenção às reais oportunidades de horizontalidades que podem nascer a partir de forças sociais contíguas da população mais pobre. É uma oportunidade histórica de se pensar na "institucionalização" da força do lugar, ou eu estou viajando?! 
Veremos

Companheiros, como prometido, vou contar, sucintamente, a história do nome da Taça Libertadores da América, o torneio futebolístico mais importante do continente americano.
O ano era 1959, em Buenos Aires, na nossa querida vizinha Argentina, onde a Conmenbol se reunião para discutir a criação de uma "copa dos campeões" dos países sulamericamos. Após definido o regulamento, modelo competitivo e perídicidade, faltava nomear o torneio. Eis que o então presidente da entidade, o uruguaio Fermin Soruheta, teve a brilhante, mas brilhante mesmo, ideia em homenagear os heróis independentistas da América do Sul, tais quais, Simon Bolivar, José de San Martin, Antonio José de Sucre, Bernardo O'Higgins e, porque não, Dom Pedro I (ok, há controvérsias sobre este último!). Fato é que, sem sombra de dúvidas, esse torneio tem o nome mais bonito, mais charmoso, mais elegante, mais tocante, mais sentimentalista dentre todos os outros torneios, taças, copas ou campeonatos existentes no mundo. "Taça Libertadores da América", sonho de conquisa de muitos, realidade para poucos. A edição de 2009 ainda está em disputa, mas já sabemos que o Palmeiras vai se sagrar bi-campeão, com direito à gol de Obina na final contra o Grêmio! (sim, eu sou vidente!!).

Até a próxima!

ps: Chupa gambá, libertadores o curíntia nunca viu!

sábado, 9 de maio de 2009

Da China à Ipiranga com a São João

Maio começou com uma notícia explosiva: a China tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil. O que pode parecer apenas mais uma linha na pauta do noticiário, na realidade é um reflexo perfeito do atual momento econômico. Desde 1930 os EUA gabava-se em ser nosso maior parceiro econômico. Chamo a atenção a esse episódio, pois, em minha avaliação, caímos em uma armadilha financeira extremamente perniciosa. Uma leitura um pouco mais atenta nos mostra que o flanco exportador do Brasil sofreu uma queda acentuada dos produtos manufaturados. Em contrapartida aumentamos o grau de dependência das vendas das commodities. Nosso perfil de exportações piorou no quesito “quantidade de trabalho e técnica”. Trata-se de um retrocesso histórico de quando ainda se falava em vantagens comparativas e equilíbrio geral. Ora, para nossa surpresa, a China foi a principal compradora desses produtos primários tão necessários à produção industrial quanto o queijo branco à goiabada! Em números, temos que o peso das commodities saiu de 32% em abril de 2008 para 46% em abril desse ano. É um dado representativo, pois embora nossas importações oriundas da China tenham arrefecido (caíram 19%), é salutar questionar que tipo de equilíbrio queremos na balança comercial, pois a linha de importação ainda é basicamente de produtos da indústria de transformação. Nesse sentido não é pura ideologia que brada dos andares da FIESP na Av. Paulista, ou da CNI em Brasília. Se pesarmos em termos desenvolvimentistas, estaríamos abandonando o traçado correto para nos aventurar em mares já navegados e pouco promissores. Vamos pensar sobre isso, pois é relevante para o futuro comercial do país.

Por aqui, semana passada os paulistanos e turistas afins tiveram a oportunidade de vivenciar mais uma “Virada Cultural”. Foi a primeira vez que participei dos principais eventos, pois nas outras participei apenas de sessões isoladas, afastadas do centro. Como bem observou meu irmão Tiago, nós copiamos a ideia do “Noites Brancas Europeias” que ocorriam em Paris, Madri e Roma. Bem, o resultado foi um pouco diferente dos nossos co-irmãos europeus, embora a ideia tenha sido aprimorada. Assisti ao show do John Lord e a Sinfônica de SP, Marcelo Camelo, um recital de piano e um filme frances chamado “Canções de amor” (Chansons d’amour). Em referência a organização do evento, não há sequer uma observação agravante. Os shows começaram e terminaram pontualmente, tanto nos mega-palcos quanto nos menores. Havia um sistema de informações muito eficiente, com quiosques de atendimento e folhetos detalhados da programaçao do evento. Bem, minha crítica é essencialmente sociológica. As ruas estavam imundas, fétidas, a juventude gritava, bebia, se entorpecia. Soou como um flagelo compulsório, como se estivessem dizendo alguma coisa, um misto de condescendência e raiva, gerando, por vezes, um clima tenso, carregado. É difícil versar sobre o que eu vi, mas fica o registro da percepção de que não há uma coesão social, nossa educação é prejudicada pelos desníveis intra e inter-regionais, o que gera esse desassossego interno a cada um de nós. O meu, por temer ser esfaqueado a qualquer momento, o seu, por me considerar hipócrita com essa crítica, o “deles” por incubarem uma raiva + angústia deflagrada aos berros, e o das autoridades, ao tentarem mitigar o racha social nacional com eventos de magnitude abrangente, uma vez que as verdadeiras práticas de agregação tomam tempo, dinheiro e não serão sentidas no dentro do período eleitoral.

Na próxima quinta trataremos do programa habitacional "Minha casa Minha vida" e desvendaremos a história por detrás do nome "Taça Libertadores da América".

Até lá

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O Retorno

Muito bem, camaradas!

Após um longo período de pausa, pretendo retomar as publicações neste blog, porém, agora, em uma tentativa religiosamente pontual. Todas as segundas e quintas-feiras haverá um novo post neste espaço. Decidi mudar o nome do blog, pois acredito que o nome antigo tornou a leitura circunscrita àqueles que se interessam por economia, per supuesto. Sei que não se faz algo tão importante sem alguma solenidade, mas a necessidade e a urgência do tempo se impõem. Foram definidos (por mim) 3 objetivos gerais para este blog:

1 - democratizar a informação;
2 - estimular o debate, as críticas e as leituras;
3 - poder publicar quando eu bem entender "Chupa bambi e/ou Chupa gambá!"

O exercício será da seguinte forma: os textos serão pensados em dois assuntos distintos, como exercício à escrita ampla. Como um folhetim, buscaremos tatear os principais temas em voga. Sendo assim, nos vemos novamente na quinta-feira, quando publicarei conteúdo alusivo ao comércio bilateral entre a China e o Brasil e a virada cultural de São Paulo, a qual participei.

É isso aí. Força e saúde pra todos nós.

Um abraço,

Ministro  

sábado, 29 de novembro de 2008

Bancos públicos e gestão da crise

Muito se fala, nas últimas semanas, sobre a intervenção dos bancos públicos federais (BB, CEF e BNDES) sobre a distribuição e irrigação do crédito. Responsáveis por 35 % do crédito no país, essas instituições aumentaram significativamente suas carteiras de crédito nas últimas quinzenas. Somente no mês de outubro, a carteira dos bancos públicos cresceu 5,4% ante 1,8% dos bancos privados. Mesmo com todas as medidas cautelares tomadas pelo BACEN para liberar mais crédito de capital de giro para as empresas, as estatísticas mostram que houve ligeira retração desses movimentos. Ora, em tempos de crise de confiança, os bancos públicos são as instituições mais "confiáveis" do ponto de vista fiduciário. Esse fato, histórico por sinal, reforça a tese leninista da necessidade de um sistema financeiro forte para países em pleno desenvolvimento das estruturas básicas (como o brasil). Sem deixar de dar créditos a Hilferding, não fosse a dominação monetarista do banco central, poderíamos dizer que os bancos nacionais nunca ostentaram posições tão progressistas quanto as atuais, em tempos de democracia.

Isso não significa dizer que os bancos públicos devem manipular o sistema econômico nacional. Sim, pois há quem acredite que "tudo" tem que ser do estado. Em períodos turbulentos, crédito empoçado, confiança abaixo de zero, altas taxas interbancárias, secura do capital de giro, entre outross fatores, fica evidente que não poderia haver nenhuma outra instituição, além do BACEN (caso pudesse, pois a legislação brasileira não permite), para dar sobrevida à economia e manter, minimamente, os níveis de emprego, renda e produtividade, alcançados nos últimos anos.

Por outro lado, urge realizar uma análise meticulosa sobre o período que se estende de 2003 a 2008, no Brasil, com vistas a conhecer o tipo de crescimento e produtividade determinantes para o aumento do produto interno verificado nos últimos anos.

Digo isso, pois o período citado, de extrema bonança do capital especulativo, permitiu inferir falsas análises sobre a long term infrastructure nacional, ou seja, ao acreditar que a telha não ia cair nunca, tocamos a pular e dançar em cima dela. Resta saber se o colchao que preparamos para a queda é de mola e reforçado, ou de espuma velha, oitocentista.

O tipo de reserva cambial que o Brasil logrou ter realizado (de curto prazo especulativa), é um belo indicador de que precisaremos, sem dúvida, de um colchao mais "afofado" e, talvez, do corpo de bombeiros de alerta.

Veremos.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A importância do Sistema Financeiro Nacional

Começamos a semana com duas notícias bombásticas: a fusão entre Itaú e Unibanco e a eleição do camarada Barack Obama. Sem querer ofuscar a vitória de nosso futuro inimigo econômico (sim, pois do ponto de vista regulatório Obama está para os EUA como Lula para o Brasil), creio que a fusão entre dois dos maiores bancos nacionais deve ser maior motivo de preocupação para nós, brasileiros. Despejando viés ideológico na análise, podemos inquirir sobre a necessidade de um sistema financeiro carregado de grandes oligopólios setoriais (Itaú pequenas e médias empresas, CEF habitação e poupança, BB crédito agrícola, Bradesco "varejão", etc.). Ignácio Rangel, Celso Furtado e Roberto Simonsen já preconizavam (inspirados em Lênin e Hilferding), sobre a premência de um sistema financeiro sólido e líquido, dotado de instrumental necessário para irrigar e capilarizar o território com crédito e serviços. Todavia, talvez, e essa é a pergunta desse post, para que se mantenha um sistema financeiro sólido, a existência de bancos gigantes é condição sine qua non? O território não poderia ser melhor distribuído com serviços se houvessem mais bancos locais, atrelados às necessidades de investimentos regionalizados, como é o caso do banco agrícola do norte do paraná, ou das caixas econômicas estaduais do período desenvolvimentista? Não me resta dúvida que um forte sistema financeiro/bancário rígido, líquido e seguro é imprescindível para o desenvolvimento catalisado dos países em subdesenvolvimento, pois o crédito é a principal válvula de escape desses territórios. Porém, vale o esforço verificar em que medida esse fortalecimento é um discurso ideológico/político, ou, como diz nosso professor Armem Mamigonian, uma "disgraceira do imperialismo norte-americano", ou, mudando de lado, faz parte da política de investimento das infra-estruturas essenciais que garantam a possibilidade da cidadania nunca perfilada aqui, em pindorama.

Mãos à obra, estudantada
Delfim taí, até agora
e nós aqui, fazendo nada
coçando, olhando a hora

taxa de juro, consumo
Liquidez e inflação
para não perder o rumo
e salvarmos a nação





quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A crise e o PAC

Senhores (as),

A violência com a qual a crise se alastra faz lembrar (não em memória!) os primeiros anos de ressaca da crise de 1929. Naqueles anos, com vistas a salvar a malfadada produção do café, o Brasil mergulhou em uma política anticíclica e tocou os investimentos, perenizados no café, com o intuito de desempoçar a produção gerando renda para estimular consumo e o gasto corrente. Com a quebradeira geral no mundo exterior, o país se viu forçado a estimular a produção interna, desenvolver uma indústria produtiva, aproveitando a situação desfavorável dos países exportadores de produtos acabados (FURTADO, 2004). Bem, a "vantagem do atraso" (RANGEL, 1978) ajudou a catalisar esse processo, contando com volume expressivo de dinheiro público.

Hoje, agora, o Brasil tem a possibilidade de retomar esse processo, desde que use o PAC como instrumento máximo para viabilizar os investimentos em infra-estrutura pesada e produtiva. Dotar o território com sistemas de objetos capazes de alavancar os "efeitos multiplicadores" é um instrumento antigo de usufruto típico dos países subdesenvolvidos. Com efeito, a nova MP que permite que a CAIXA e o Banco do Brasil comprem participações em empresas com dificuldades financeiras, faz parte dessa estratégia de estimular a aceleração do PAC (tautologia!), com solavancos específicos.

No outro flanco, mas não menos importante, ajustar a política monetária para níveis de preços da moeda mais afinados com o crescimento econômico alavancado (com baixa, mas presente, inflação) é outra necessidade fundamental. Com a moeda valorizada, setores da indústria ligado às exportações sofrem para alocarem seus produtos. Mas aqui mora o perigo: não basta distribuir ferramentas para os exportadores. É necessário garantir que o investimento em P&D está inserindo valor e tecnologia de produção, caso contrário voltaremos ao que Celso Furtado chamou de "empresa agrícola do sec XV".

Se o PAC conseguir equilibrar essas assimetrias, teremos um futuro mais próspero para a indústria de bens de consumo nacional, a que mais emprega, mais inova e mais acelera o crescimento econômico. 

Segue a discussão.

Abraço

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Novo velho paradigma


Com o intuito de melhor servir ao interesse público, este blog, a partir de agora, servirá de abrigo para as novas idéias do desenvolvimentismo brasileiro. Ao reunir ingredientes como juventude, vontade, conhecimento incipiente, meio acadêmico, meio popular, música, informações, entre outras variáveis, esse espaço servirá para registrar os passos dessa inquietude que acossa a nós, os intrépidos responsáveis pelo futuro da república.

Inspirados nos clássicos da economia política, da teoria econômica, da geografia e da teoria política, buscaremos, abnegados da redenção, o conhecimento comum, o bem público, o desenvolvimento, o progresso e a aproximação equânime das situações. Com esforço e dedicação, pretendemos pensar no concreto, e para o concreto.

O que vem a seguir é só o começo. Aguardemos a próxima postagem.

Força e coragem. 

"Um estudo da história da opinião é um prelúdio necessário à emancipação da mente." 
                                                                                                                 John Maynard Keynes


terça-feira, 29 de julho de 2008

O grito dos inaudíveis


"A Terra é azul", bradou Yuri Gagarin a bordo da espaçonave que "navegou" a órbita terrestre no início da década de 1960. Por enquanto ainda é. Pois catita e fagueira vai se transformando em algo que nem o IPCC, nem Aziz Ab'Saber, nem Nostradamos sabem definir o que é. Não sou especialista em assuntos ambientais (aliás, não sou especialista em coisa alguma) e sou um feroz crítico daqueles que perdem seu tempo tentando descobrir por quantas vezes as formigas selvagens tropicais acasalam num dia. Todavia é inegável que as preocupações ambientais começam a atravessar as relações internacionais do ponto de vista político e econômico. Dos movimentos migratórios aos opulentos subsídios agrícolas, das tergiversações sobre o uso dos trangênicos e o fim das espécies naturais, entre outros, são alguns exemplos. Assim como Krypton que fora destruída pela própria civilização, em função da política ambiciosa, a Terra, aos poucos, vai caminhando para a destruição. Desmatamos as florestas, ajudamos a derreter as geleiras (ok, isso é controverso, mas só pra engrossar meu caldo vou ratificar), poluímos a atmosfera, aceleramos a desertificação das zonas tropicais, entulhamos o oceano com óleo, plástico e dejetos mais sortidos possíveis, não cuidamos dos rios, lagos e lagunas, nos degladiamos em ringues inúteis como as reuniões da OMC, etc. etc. etc.
Talvez a destruição seja inevitável, ainda que caiba perquirir sobre isso, mas, há como recrudescer ou postergar a catástrofe. Na história de Krypton, Jor-El envia seu filho para salvar sua civilização justamente em nosso planeta, para, quem sabe, reconstruir a história e salvar os humanos dos erros cometidos pelos kryptonianos. Nem a ficção foi capaz de nos alertar. Talvez nos falte um Jor-El para enviar um humano a outro planeta e reconstuir tudo novamente. Mas, pensando bem, é melhor que falte mesmo.
Esse post é dedicado àqueles que lutam pela conservação do nosso planeta ao mesmo tempo em que lutam pela simétrica perpetuação de nossa espécie. Quem acompanha o trabalho de Rujendra Pachauri e do IPCC sabe do que estou falando. Quem não conhece, não perca tempo!! Vá atrás, conheça, leia, ou, então, vá para o inferno.
Abraço

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Chevaliers de sangreal


A tentativa de salvar a rodada de negociações Doha, em 2001, assiste nesta semana mais um capítulo de sua longa história. A ambiciosa tentativa de imprimir a maior abertura do comércio mundial demanda ponderações pertinentes a sua implementação. As notícias de Genebra, até agora, não são muito animadoras quanto à exequibilidade dos acordos. O Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, sem dúvida uma de nossas grandes referências, embarcou, todavia, no que chamaria de missão "kamikaze" (já que estamos em épocas de metáforas históricas). Ora, minhas reflexões são contumazes, embora soem infantis devido minha descrença em certos tipos de relações comerciais. Estamos, junto com Amorim, em conflito com os países desenvolvidos, pois estes subsidiam seus agricultores com linhas de créditos especiais e taxas abusivas às importações de commodities dos países em desenvolvimento. O frisson centra-se em certa desvalorização no longo prazo e no possível bloqueio do crescimento econômico dos países exportadores. A assimetria da contrapartida solicitada pelos países mais ricos é tamanho absurda, que, em meu ponto de vista, chega a ser anedótica (não sei se essa palavra existe). Para que nossos agricultores tenham acesso ao mercado interno do G-5, seria necessário que reduzíssemos as tarifas alfandegárias de produtos industrializados. Ora, essa distorção aparenta um retrocesso à época mercantilista (se é que essa época se foi!!!) senão vejamos: estamos brigando para exportar soja, minério, suco de laranja, cana, etc.; cabe a ressalva de que esses produtos todos são enviados in natura, isto é, apenas para ilustrar com dois exemplos, o minério sai do Brasil, viaja 16 mil Km até a China, onde é processado pela indústria siderúrgica, para, em seguida, retornar ao Brasil em forma de trilhos, a tonelada do minério é vendida à média de US$ 150, enquanto a tonelada dos trilhos é importada por US$ 750 (ver Valor Econômico e Folha de S. Paulo de 21/07/2008). O suco de laranja não deixa por menos, pois é exportado em forma concentrada a granel, para ser processado, industrializado e envasado no exterior; em seguida, quem diria, é exportado para o Brasil. Isso mesmo!! Importamos o suco de laranja que começa a ser produzido aqui em Bebedouro, Taquaritinga, Matão, Itápolis, etc.

Para resumir, o núcleo de minha inquietação está na seguinte pergunta: Será que realmente precisamos ter sucesso nas negociações da OMC? Deveríamos, de fato, salvar a rodada Doha? Quais seriam os fins? Na minha maculada (pois não estou preparado) leitura, o sucesso dessa negociata seria perpetuar a assimetria que vigora desde a era colombiana. Continuaríamos a exportar minério, soja e laranja, produtos de baixo valor agregado, enquanto importamos toda a base produtiva do país. Deixarei essa leitura no plano da superficialidade (poderia aprofundar a discussão, mas...) pois aqui não há espaço para divagações contundentes. Se esse post conduzi-lo (a) à reflexão sobre a questão, a missão está cumprida. Obviamente que não se trata de uma "nova" polêmica, pois duvido que um diplomata do calibre de Celso Amorim não a tenha considerado. Todavia, faz-se mister uma breve ponderação e, se possível, marchemos a discussão aos arautos da diplomacia nacional.

É, eu sei. Isso já é muita ambição para esse blog. Mas, toda verdadeira cruzada começa assim: uma pequena inquietude que se transforma em uma verdadeira batalha.

Levante sua bandeira, pois o Santo Graal do século XXI não é um artefato qualquer, mas, sim, um conjunto de normas e leis que, uma vez assinadas, só a guerra é capaz de derrubá-las.

Pelo andar da carruagem, e pela honestidade das relações, é melhor preparar a espada e o escudo.

Já posso ouvir o som das baionetas.


segunda-feira, 21 de julho de 2008

Referências


Semana passada o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, afastou-se do caso que liderou por mais de 4 anos, ainda que o "filé" de seu árduo trabalho esteja em plena degustação neste momento. Pressão? Ingerência externa? Fato é que já estão "malhando" o judas no delegado. Neste final de semana, o chanceler Celso Amorim fora severamente apedrejado (figura de linguagem) por comparar a reticente tentativa dos países mais ricos em tornar verossímil tarifas assimétricas na OMC (em referência à rodada de Doha), com a fórmula nazista (Goebbles) de se criar uma falsa verdade a partir da catafasia propagandística. Atualmente, autoridades chinesas são apontadas como responsáveis pelo presente cenário inflacionário mundial, pois colocou-se cerca de 200 milhões de pessoas no mercado consumidor, provendo-lhes poder de compra, sustentabilidade sem assistencialismo, tirando-os da linha da miséria.
Ou estamos com sérios problemas em reconhecer as boas referências em sua luta para a distribuição de "bondade e benevolência" (ver post abaixo), ou, notadamente, já não nos importamos mais com elas. Fato relevante para nós é que o povo não quer justiça, mas, sim, que pessoas acima do "standard" social sejam presas ou culpadas de uma realidade sem lei, de uma moral sem dono. Mas o pior ainda está por vir. Quando a inflação sair da esfera das commodities e alcançar os bens de consumo duráveis e não duráveis, afetando, assim, a classe média propriamente dita, aí sim a anarquia social será instaurada.
O que será de nós se o preço do Ipod subir? Culpa do Celso Amorim, que fica gastando seu precioso tempo com o sofisma dos preços agrícolas na OMC. Ou então culpemos o delegado Protógenes Queiroz por acusar e prender Daniel Dantas, bloqueando, assim, um dos maiores negócios do capitalismo moderno brasileiro, o que impediria muita gente de ter acesso à internet banda larga de 30 mb. Que tragédia! Deveríamos, então, aplicar a política nazista de Goebbles e executar a "solução final" aos mais de 200 milhões de novos consumidores chineses, afastando de vez com o problema inflacionário. Dos males o menor. Que morram os comunistas chineses!
Como disse acima, é apenas um grave problema de referência.
É cansativo e desanima. Mas, se Rocky Balboa continua na ativa, quem sou eu para desistir?
Isso é que é referência!


sexta-feira, 18 de julho de 2008

Fibra Moral

" Preferi a tranquilidade do silêncio ao ruído das propagandas falazes; não suportei afetações; as cortesias rasteiras, sinuosas e insinuantes, jamais encontraram agasalho em mim; em lugar algum pretendi subjugar, mas ninguém me viu acorrentado a submissões;- dentro de uma humildade que ganhei no berço, abominei a egomania e a idolatria; não me convenceram as aparências, e para as minhas convicções busquei sempre os escaninhos. No exercício das minhas funções de magistrado, diuturnamente, dei o máximo dos meus esforços para bem desempenhá-las, (...) em nenhum momento transigi com a nobreza do cargo; escapei de juízos temerários, tomando cautelas para desembaraçar-me das influências de uma decisão;- e, se alguma vez, pequei contra a lei, vai-me a certeza de que o fiz para distribuir bondade e benevolência." Discurso pronunciado pelo juiz Luiz Gonzaga Belluzzo (1916 - 2000), por ocasião de sua aposentadoria. (Revista Carta Capital Nº504, 16 de julho de 2008)
Se existe alguma definição específica para a expressão "fibra moral", esse pronunciamento, sem dúvida, deve ser considerado seu hiperônimo.
E se algum nefasto multiplicador das idéias corporativas precisar mudar o conceito de "sucesso", taí um ótimo exemplo.
Grifo meu.
Mais do que justo.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Burocracia Rousseauriana


Nessa semana, em meu novo posto de trabalho, tive a oportunidade de verificar de perto o andamento de alguns programas do governo em conjunto com o BID, Ministério da Fazenda, entre outros. Não pude deixar de notar a grandiosidade burocrática que cercam as possibilidades existentes. Tamanha morosidade deve ensejar a desistência de muitas instituições quando se deparam com o tamanho dos dossiês e formulários. Também, pudera! A facilidade em adulterar, forjar e falsificar documentos provoca o escrutínio desenfreado. Muito há de se conhecer, mas, fazendo minhas as palavras do velho sábio Miltão (essa intimidade é pq eu sou neto do fera!), nunca a história da humanidade conviveu com tantas possibilidades de produzir um desenvolvimento equilibrado. Temos que assumir a burocracia em função dos espertinhos de plantão, pois o ser ontológico do atual governo (leia-se a política implícita em sua gestão) garante as ferramentas para tentar corrigir as assimetrias do território (como quer Samuel Pinheiro Guimarães). Para os estadofóbicos fica a ressalva de que, sem ele (o Estado), esses instrumentos não seriam possívels. Em contrapartida, para os estadomaníacos, vale dizer que os mecanismos seriam mais precisos caso a burocracia acelerasse a transferência de recursos, ao invés de procastinar cada vez mais.

Eu? Bem, quanto mais Estado, melhor, porém, quanto menos Estado, melhor também (sic). Mas, aqui, assino com a verve ferina do companheiro Delfim Netto, para quem é imprescindível que se tenha um Estado indutor, fiscalizador e intervencionista quando preciso. A medida desses fatores é dada, quem diria, pelo mercado.

E viva Jean Jacques Rousseau!