A principal pauta da semana na agenda do noticiário foi o aniversário de São Paulo. E dia desses, nessas conversas casuais, o assunto sobre as múltiplas centralidades, sobre hierarquias urbanas estiveram presentes no "roteiro". Logo comecei a pensar sobre São Paulo e horas depois, já só, me concentrei um pouco sobre a validade da teoria dos lugares centrais, de Walter Christaller, e suas principais armadilhas interpretativas se quisermos jogar nossa cidade à luz dessa proposta - muito mais complexa do que a maioria dos geógrafos e arquitetos pensam!
(desculpem, pois serei muito breve na argumentação! Estou com pressa e vou ao sesc ver um show ainda hoje.)
É comum no meio acadêmico, sobretudo dentre pesquisadores urbanos, justificar as deficiências das cidades nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a uma possível utilização institucional da teoria dos lugares centrais. Vários arquitetos e urbanistas da geração pós 1985 e grandes geógrafos acometidos pela eterna síndrome da "crise da geografia" são ferrenhos críticos do nosso amigo alemão (W. Christaller). Dizem que a elaboração de "centros fora do centro" foi deliberadamente uma política, conduzida pelo Estado, claro, para eliminar a necessidade da mobilidade urbana e, ou, mais grave ainda, para evitar que pessoas trafeguem até o centro da cidade como forma de preservar certas áreas ainda nobres (Jardins, Bela Vista, Higienópolis, etc.)
Uma geógrafa "gloriosa" chegou a dizer, quando das comemorações dos 450 anos da cidade de São Paulo, em um debate no departamento de Geografia, que a instituição do bilhete único era uma maneira de criar novas centralidades logísticas e evitar que as pessoas precisem passar pelo centro da cidade (pois o mecanismo de integração reduziria o fluxo de embarques nas regiões centrais para aumentar nos terminais); De fato, algumas centralidades foram criadas e outras ampliadas (terminal santo amaro, lapa, cachoeirinha); Mas, ora, se a intenção era criar novas hierarquias fora dos perímetros do "miolo chique da metrópole", com intuito em erguer barreiras invisíveis ao deslocamento "periferia-centro", como explicar o aumento da concentração dos empregos no centro, o elevado número de embarques nas estações de metrô e trem do centro expandido, o fluxo de empresas do setor de serviços para novas zonas "pseudo-empresariais"? (pseudo pois o plano diretor ainda nao aprovou tal mudança)
Ou seja, a leitura rasa de uma rica e erudita teoria cria interpretações falhas e, no mínimo, equivocadas (eufemismo pra, bem, vcs sabem...) sobre as racionalidades que "costuram" o tecido urbano da nossa cidade.
A ideia central da teoria dos lugares centrais é o abastecimento com o mínimo deslocamento possível. Parece simples, mas não é! Enquanto não houver, nessas centralidades, emprego, serviços públicos, escolas, hospitais, lazer e uma "intra-infra-estrutura", o deslocamento para "A" região central ainda será o principal fluxo da cidade - e não que um dia deixará de ser, mas poderá ser diminuido. Se fizermos o exercício de classificação e hierarquizaçao das centralidades de Sao Paulo iremos notar todas as deficiências que a nossa amiga geógrafa e professora da USP não notou ao bradar o grito do "ah, o Estado é o responsável pelo esvaziamento do centro".
Então, a pergunta que fica é? São Paulo não cria novas centralidades em detrimento de seu próprio centro (fisicamente falando), logo, como explicar que em nossa hierarquia urbana o centro continua sendo o centro de todas as centralidades?
Vou mandar por e-mail com essa pergunta à nossa professora...
(...) com uma cópia, claro, de alguns artigos sobre a teoria dos lugares centrais,
Falô?!
Um comentário:
E viva a TLC!
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