Começamos a semana com duas notícias bombásticas: a fusão entre Itaú e Unibanco e a eleição do camarada Barack Obama. Sem querer ofuscar a vitória de nosso futuro inimigo econômico (sim, pois do ponto de vista regulatório Obama está para os EUA como Lula para o Brasil), creio que a fusão entre dois dos maiores bancos nacionais deve ser maior motivo de preocupação para nós, brasileiros. Despejando viés ideológico na análise, podemos inquirir sobre a necessidade de um sistema financeiro carregado de grandes oligopólios setoriais (Itaú pequenas e médias empresas, CEF habitação e poupança, BB crédito agrícola, Bradesco "varejão", etc.). Ignácio Rangel, Celso Furtado e Roberto Simonsen já preconizavam (inspirados em Lênin e Hilferding), sobre a premência de um sistema financeiro sólido e líquido, dotado de instrumental necessário para irrigar e capilarizar o território com crédito e serviços. Todavia, talvez, e essa é a pergunta desse post, para que se mantenha um sistema financeiro sólido, a existência de bancos gigantes é condição sine qua non? O território não poderia ser melhor distribuído com serviços se houvessem mais bancos locais, atrelados às necessidades de investimentos regionalizados, como é o caso do banco agrícola do norte do paraná, ou das caixas econômicas estaduais do período desenvolvimentista? Não me resta dúvida que um forte sistema financeiro/bancário rígido, líquido e seguro é imprescindível para o desenvolvimento catalisado dos países em subdesenvolvimento, pois o crédito é a principal válvula de escape desses territórios. Porém, vale o esforço verificar em que medida esse fortalecimento é um discurso ideológico/político, ou, como diz nosso professor Armem Mamigonian, uma "disgraceira do imperialismo norte-americano", ou, mudando de lado, faz parte da política de investimento das infra-estruturas essenciais que garantam a possibilidade da cidadania nunca perfilada aqui, em pindorama.
Mãos à obra, estudantada
Delfim taí, até agora
e nós aqui, fazendo nada
coçando, olhando a hora
taxa de juro, consumo
Liquidez e inflação
para não perder o rumo
e salvarmos a nação
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