Convoco todos à leitura da coluna da ex-ministra Marina Silva, no jornal Folha de S. Paulo, do dia 16 de junho de 2008. Sem querer usurpar as palavras da autora, as evoco num momento de muita coincidência com o que me ocorreu semana passada, mas não serei abusado em comparar suas sábias palavras com as minhas. Ao comentar a passagem de dois vencedores do premio Nobel da Paz pelo Brasil, a ministra ratifica a importância de se pensar na possibilidade concreta da requalificação dos padrões, dos costumes que, nos moldes atuais, direcionam à crença no fatalismo da perpetuação do atual modelo. Muhammad Yunus, o banqueiro dos pobres, através dos mecanismos do capital financeiro conseguiu trazer dignidade à uma determinada população, por meio da capilarização do microcrédito para ensejar atividades produtivas geradoras de renda. Milton Santos, outro grande sábio, dizia que nunca na história do mundo houve tantas possibilidades para construí-lo melhor e mais digno, pois a produção das coisas é muito maior do que se necessita. Os corolários da política é quem determinam os meios e os fins. Temos a faca e o queijo nas mãos. Nunca o dinheiro fluiu com tanta velocidade e volume, assim como também não me recordo nenhum momento (mas eu sou péssimo em lembrar de qualquer coisa) em que as normas pudessem controlar e territorializar as finanças, carregando consigo as possibilidades do período. Não há soluções isoladas, mas um complexo conjunto de instrumentos passíveis de serem articulados para uma distribuição equânime das possibilidades. Acreditar nisso é trazer para si parte da responsabilidade da viabilização e consecução desse projeto. Não acreditar e esconder-se atrás dos muros jornalísticos ou acadêmicos é atrasar, ainda mais, a realização desta utopia tão possível de ser concretizada. Marina Silva os chamam de "Militantes da Civilização". Concordo, mas acrescentaria, junto com Milton Santos, que também são os Militantes do Otimismo. Me alisto nesse grupo. Aos pessimistas incrédulos e reclamões, quem sabe a próxima senha não é a sua!

2 comentários:
Não tem problema. Eu escrevo pra mim mesmo.
ow...
não creio no período popular da história!!! (pero que las posibilidades hay, las hay!!!)...
e aí... a próxima senha é minha?? Ou há outra forma de ser otimista??
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