
terça-feira, 29 de julho de 2008
O grito dos inaudíveis

quarta-feira, 23 de julho de 2008
Chevaliers de sangreal

A tentativa de salvar a rodada de negociações Doha, em 2001, assiste nesta semana mais um capítulo de sua longa história. A ambiciosa tentativa de imprimir a maior abertura do comércio mundial demanda ponderações pertinentes a sua implementação. As notícias de Genebra, até agora, não são muito animadoras quanto à exequibilidade dos acordos. O Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, sem dúvida uma de nossas grandes referências, embarcou, todavia, no que chamaria de missão "kamikaze" (já que estamos em épocas de metáforas históricas). Ora, minhas reflexões são contumazes, embora soem infantis devido minha descrença em certos tipos de relações comerciais. Estamos, junto com Amorim, em conflito com os países desenvolvidos, pois estes subsidiam seus agricultores com linhas de créditos especiais e taxas abusivas às importações de commodities dos países em desenvolvimento. O frisson centra-se em certa desvalorização no longo prazo e no possível bloqueio do crescimento econômico dos países exportadores. A assimetria da contrapartida solicitada pelos países mais ricos é tamanho absurda, que, em meu ponto de vista, chega a ser anedótica (não sei se essa palavra existe). Para que nossos agricultores tenham acesso ao mercado interno do G-5, seria necessário que reduzíssemos as tarifas alfandegárias de produtos industrializados. Ora, essa distorção aparenta um retrocesso à época mercantilista (se é que essa época se foi!!!) senão vejamos: estamos brigando para exportar soja, minério, suco de laranja, cana, etc.; cabe a ressalva de que esses produtos todos são enviados in natura, isto é, apenas para ilustrar com dois exemplos, o minério sai do Brasil, viaja 16 mil Km até a China, onde é processado pela indústria siderúrgica, para, em seguida, retornar ao Brasil em forma de trilhos, a tonelada do minério é vendida à média de US$ 150, enquanto a tonelada dos trilhos é importada por US$ 750 (ver Valor Econômico e Folha de S. Paulo de 21/07/2008). O suco de laranja não deixa por menos, pois é exportado em forma concentrada a granel, para ser processado, industrializado e envasado no exterior; em seguida, quem diria, é exportado para o Brasil. Isso mesmo!! Importamos o suco de laranja que começa a ser produzido aqui em Bebedouro, Taquaritinga, Matão, Itápolis, etc.
Para resumir, o núcleo de minha inquietação está na seguinte pergunta: Será que realmente precisamos ter sucesso nas negociações da OMC? Deveríamos, de fato, salvar a rodada Doha? Quais seriam os fins? Na minha maculada (pois não estou preparado) leitura, o sucesso dessa negociata seria perpetuar a assimetria que vigora desde a era colombiana. Continuaríamos a exportar minério, soja e laranja, produtos de baixo valor agregado, enquanto importamos toda a base produtiva do país. Deixarei essa leitura no plano da superficialidade (poderia aprofundar a discussão, mas...) pois aqui não há espaço para divagações contundentes. Se esse post conduzi-lo (a) à reflexão sobre a questão, a missão está cumprida. Obviamente que não se trata de uma "nova" polêmica, pois duvido que um diplomata do calibre de Celso Amorim não a tenha considerado. Todavia, faz-se mister uma breve ponderação e, se possível, marchemos a discussão aos arautos da diplomacia nacional.
É, eu sei. Isso já é muita ambição para esse blog. Mas, toda verdadeira cruzada começa assim: uma pequena inquietude que se transforma em uma verdadeira batalha.
Levante sua bandeira, pois o Santo Graal do século XXI não é um artefato qualquer, mas, sim, um conjunto de normas e leis que, uma vez assinadas, só a guerra é capaz de derrubá-las.
Pelo andar da carruagem, e pela honestidade das relações, é melhor preparar a espada e o escudo.
Já posso ouvir o som das baionetas.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Referências

sexta-feira, 18 de julho de 2008
Fibra Moral
terça-feira, 15 de julho de 2008
Burocracia Rousseauriana

sábado, 5 de julho de 2008
Militantes do otimismo
