Maio começou com uma notícia explosiva: a China tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil. O que pode parecer apenas mais uma linha na pauta do noticiário, na realidade é um reflexo perfeito do atual momento econômico. Desde 1930 os EUA gabava-se em ser nosso maior parceiro econômico. Chamo a atenção a esse episódio, pois, em minha avaliação, caímos em uma armadilha financeira extremamente perniciosa. Uma leitura um pouco mais atenta nos mostra que o flanco exportador do Brasil sofreu uma queda acentuada dos produtos manufaturados. Em contrapartida aumentamos o grau de dependência das vendas das commodities. Nosso perfil de exportações piorou no quesito “quantidade de trabalho e técnica”. Trata-se de um retrocesso histórico de quando ainda se falava em vantagens comparativas e equilíbrio geral. Ora, para nossa surpresa, a China foi a principal compradora desses produtos primários tão necessários à produção industrial quanto o queijo branco à goiabada! Em números, temos que o peso das commodities saiu de 32% em abril de 2008 para 46% em abril desse ano. É um dado representativo, pois embora nossas importações oriundas da China tenham arrefecido (caíram 19%), é salutar questionar que tipo de equilíbrio queremos na balança comercial, pois a linha de importação ainda é basicamente de produtos da indústria de transformação. Nesse sentido não é pura ideologia que brada dos andares da FIESP na Av. Paulista, ou da CNI em Brasília. Se pesarmos em termos desenvolvimentistas, estaríamos abandonando o traçado correto para nos aventurar em mares já navegados e pouco promissores. Vamos pensar sobre isso, pois é relevante para o futuro comercial do país.
Por aqui, semana passada os paulistanos e turistas afins tiveram a oportunidade de vivenciar mais uma “Virada Cultural”. Foi a primeira vez que participei dos principais eventos, pois nas outras participei apenas de sessões isoladas, afastadas do centro. Como bem observou meu irmão Tiago, nós copiamos a ideia do “Noites Brancas Europeias” que ocorriam em Paris, Madri e Roma. Bem, o resultado foi um pouco diferente dos nossos co-irmãos europeus, embora a ideia tenha sido aprimorada. Assisti ao show do John Lord e a Sinfônica de SP, Marcelo Camelo, um recital de piano e um filme frances chamado “Canções de amor” (Chansons d’amour). Em referência a organização do evento, não há sequer uma observação agravante. Os shows começaram e terminaram pontualmente, tanto nos mega-palcos quanto nos menores. Havia um sistema de informações muito eficiente, com quiosques de atendimento e folhetos detalhados da programaçao do evento. Bem, minha crítica é essencialmente sociológica. As ruas estavam imundas, fétidas, a juventude gritava, bebia, se entorpecia. Soou como um flagelo compulsório, como se estivessem dizendo alguma coisa, um misto de condescendência e raiva, gerando, por vezes, um clima tenso, carregado. É difícil versar sobre o que eu vi, mas fica o registro da percepção de que não há uma coesão social, nossa educação é prejudicada pelos desníveis intra e inter-regionais, o que gera esse desassossego interno a cada um de nós. O meu, por temer ser esfaqueado a qualquer momento, o seu, por me considerar hipócrita com essa crítica, o “deles” por incubarem uma raiva + angústia deflagrada aos berros, e o das autoridades, ao tentarem mitigar o racha social nacional com eventos de magnitude abrangente, uma vez que as verdadeiras práticas de agregação tomam tempo, dinheiro e não serão sentidas no dentro do período eleitoral.
Na próxima quinta trataremos do programa habitacional "Minha casa Minha vida" e desvendaremos a história por detrás do nome "Taça Libertadores da América".
Até lá
Um comentário:
Ministro,
O texto está deveras bem escrito, coeso e imbuído. Digno de um palestrino, alías palestrante!
Voltamos às commodidites? Os séculos anteriores ao XX devem estar na moda, é isso!
Nosso profético Armen tá certo quanto à "chinesada". Prepara o Mandarim, aí, Ministro!!
Bjs!
Ritz
Postar um comentário