quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Entrevista Guido Mantega - BBC Londres

Pessoal,

Parece que a safra de entrevistas institucionais está boa. Nos mesmos moldes da entrevista com o Lula, nosso ministro da Fazenda concedeu uma entrevista-propaganda dos aspectos mais relevantes sobre a posição do Brasil na balança econômica e produtiva mundial. Com uma pitada ideológica, claro, é um pouco do "arroz com feijão" que o governo vem reforçando nos últimos dias.

Mais abraços

Entrevista do Presidente Lula à BBC/UK

Companheiros,

Com a intenção de prestar um serviço público de boa qualidade, faço questão de disponibilizar e divulgar uma entrevista que nosso presidente concedeu à agência britânica de notícias BBC. O vídeo está em português e possui cerca de 17 minutos. O pano de fundo da entrevista é a crise econômica atual, o ponto de inflexão do crescimento econômico brasileiro e a especulação que gerou a crise do sub-prime. Percebam que a discussão sobre o sub-prime nada mais é do que um eufemismo pra tratar da questão da renda da terra, cujos problemas e contradições, no Brasil, pretendem ser resolvidos com o programa MCMV.

Sem mais delongas, com vcs, o presidente Lula.

Abraços


domingo, 13 de setembro de 2009

A contra-revolução verde

Amigos, companheiros e camaradas,

Em nossa leitura sobre as contradições dos processos sociais e sobre o desenvolvimento é muito comum tentar esgotar a discussão dentro da esfera produtiva. Tentamos, de alguma forma, estudar a viabilidade do crescimento econômico e desenvolvimento com inclusão social. Nos inserimos em calorosas conversas, e debates que fariam inveja às assembleias da revolução francesa, para entender e projetar o crescimento qualitativo da produção, de forma inclusiva, democratizando as instituições públicas, desencadeando os "efeitos multiplicadores da geração de renda, execução da educação e redução da pobreza.

Bueno, naturalmente, partindo desses pressupostos, humanizamos a conversa partindo do princípio clássico de Richard Nixon (um liberal sem-vergonha e sem moral) de que "se precisar, iremos colonizar a lua e explorar suas riquezas, se houver alguma". Pois bem, e não é que Ricky Nixon foi visionário? Claro, não ele, mas seu "cast" político já percebia a proximidade do esgotamento da "cultura do carbono", com as crises do petróleo (73 e 78), a crise da produção de alimentos agrícolas, que hoje começa a se resumir nas bolsas de mercadorias e futuros, dada a escasez de terras para agricultura e o avanço das commodities nessas terras. O pai da revolução verde, morto semana passada aos 95 anos, ao tentar salvar milhões de pessoas da fome, miscigenando sementes, não poderia imaginar que a biologia experimental seria uma das maiores maldições da atual miséria alimentícia mundial. Bem, sem mencionar o esgotamento dos solos e a redução da fertilidade reprodutiva. Mas, claro, me apropriando da ironia, o que gostaria de enfatizar é a seguinte questão, logo abaixo.

Não podemos mais discutir desenvolvimento, crescimento econômico e desenvolvimento social, sem antes passarmos pelo acintoso debate sobre o modelo produtivo, sobre a matriz energética e sobre a sustentabilidade do planeta para tal desempenho. Não, não virei ambientalista (ainda que seja a ideologia que paira sobre nossas mentes), não estou vendendo a conversa do IPCC (órgão da ONU que propala a discussão ideologicamente) e não fui contratado por Al Gore (infelizmente, $$). A questão é muito mais ampla e não podemos ser maniqueístas a ponto de imaginar que se trata apenas de um debate ideológico (pois alguns acreditam que essa discussão é um instrumento de inviabilizar o crescimento das economias emergentes). Temos exemplos clássicos, estudos confiáveis e projeções preocupantes sobre o tema (cite uma, ministro, umazinha!). Alguns ambientalistas importantes alertam para o problema real, a despeito do cunho extremamente ideológico contido.

Por isso, gostaria que pensassem, junto comigo, sobre o assunto. Teríamos (nós, a Terra!) como sustentar um modelo de desenvolvimento calcado na produção de matriz energética do carbono? Ainda existiria espaço para mais "plastificação" do mundo? As resinas sintéticas oriundas do petróleo são a solução? Incluir mais pessoas no mercado consumidor não imprimiria um ritmo preocupante sobre as questões ambientas? Temos estrutura para sustentar uma cadeia produtiva de bens cada vez menos duráveis? China, Índia e Brasil, sem dúvida, serão os principais responsáveis pela cadeia de ações que deve moldar o tipo de produção e matriz energética dos próximos 100 anos. Mas, todavia, não estamos sozinhos, já que, ainda hoje, os países desenvolvidos são responsáveis por cerca de 80% das emissões (fonte: ONU).

Bem, para algumas respostas, deixo com vcs um programa que assisti em uma dessas madrugadas perdidas da vida....sonhando acordado, contando ovelhas (ou cabras, ou os dois), me deparei uma das figuras que mais respeito nesse país. Se há alguem para quem eu trabalharia de graça no mundo, certamente seria ele.

Finada a balela, com vcs o programa Cidades e Soluções, com entrevista do nosso glorioso e excelentíssimo Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Vai Palmeiras!

Abraços



quarta-feira, 3 de junho de 2009

Uma aula sobre a crise

Aos intrépidos,

Um amigo de longa data, Leonardo Nunes, economista, filósofo, futebolista e "brameiro", produziu um texto-resumo sobre a crise econômica atual. A "aula-texto" foi publicada no site do jornalista, sociólogo, político independente, Paulo Henrique Amorim, cujo link disponibilizo abaixo. Bem, o conteúdo é fundamentado na aula do professor de economia da Universidade de Massachussets, Richard Wolff, a qual assisti após a leitura do texto do companheiro Leo. Pelo conteúdo extremamente didático e, criticamente fantástico, tomei a liberdade de disponibilizar para os queridos leitores o vídeo com a aula. São 40 minutos de uma explicação bastante incomum, porém extremamente reveladora, do ponto de vista do âmago da crise atual. Confesso que fiquei entorpecido pela leitura dos artigos de economistas, sociólogos e até geógrafos renomados que, ao fazerem uma leitura do capitalismo "taken for granted", distorcem os fatos com interpretações mirabolantes e conservadoras. Para remediar esse "vírus", indico a leitura do artigo do nosso amabilíssmo Leo e, em seguida, à sessão com o professor Rick Wolff. Boa aula!

autoria: Leonardo Nunes e Tomas Rotta

domingo, 31 de maio de 2009

Minha casa, minha vida, minha taça....

A bola da vez na agenda político-econômica canarinha recai, duplamente, sobre a ministra Dilma Rousseff. A "mãe do PAC" agora acumula mais uma atribuição desafiadora: resolver o problema da habitação no país. Talvez, a palavra "resolver" seja pesada demais para as possibilidades concretas às mãos da ministra. Acelerado pela contingência da crise econômica, o programa "Minha casa, minha vida" tem 3 objetivos claros: 
1 sustentar a produção e o emprego em tempos de crise; 
2 reduzir o déficit habitacional nas grandes cidades;
3 alavancar a popularidade da companheira Dilma.

É sabido que o número maior de lares estimula, instiga mais demanda nos diversos setores produtivos de bens de consumo duráveis e não duráveis, acusa a expansão do crédito em diversas modalidades físicas e jurídicas, acelera a regularização dos assentamentos precários e irregulares, etc. Não se trata de um programa de fim essencialmente político, embora tenha muito disso. Temos que observar, com atenção, a necessidade e as oportunidades detrás desse programa. O "tombo" dos juros do crédito imobiliário, visando atrair a camada mais pobre da população, é um sintoma de que espera-se uma movimentação brusca das classes C e D. É uma oportunidade, outrossim, do diálogo com as entidades, os movimentos sociais, as cooperativas, no sentido de promover a alforria imobiliária aos escravos da habitação precária e irregular. Antes de cair na tentação de olhar o programa MCMV como mero canal de obtenção do objetivo 3, listado acima, prestemos atenção às reais oportunidades de horizontalidades que podem nascer a partir de forças sociais contíguas da população mais pobre. É uma oportunidade histórica de se pensar na "institucionalização" da força do lugar, ou eu estou viajando?! 
Veremos

Companheiros, como prometido, vou contar, sucintamente, a história do nome da Taça Libertadores da América, o torneio futebolístico mais importante do continente americano.
O ano era 1959, em Buenos Aires, na nossa querida vizinha Argentina, onde a Conmenbol se reunião para discutir a criação de uma "copa dos campeões" dos países sulamericamos. Após definido o regulamento, modelo competitivo e perídicidade, faltava nomear o torneio. Eis que o então presidente da entidade, o uruguaio Fermin Soruheta, teve a brilhante, mas brilhante mesmo, ideia em homenagear os heróis independentistas da América do Sul, tais quais, Simon Bolivar, José de San Martin, Antonio José de Sucre, Bernardo O'Higgins e, porque não, Dom Pedro I (ok, há controvérsias sobre este último!). Fato é que, sem sombra de dúvidas, esse torneio tem o nome mais bonito, mais charmoso, mais elegante, mais tocante, mais sentimentalista dentre todos os outros torneios, taças, copas ou campeonatos existentes no mundo. "Taça Libertadores da América", sonho de conquisa de muitos, realidade para poucos. A edição de 2009 ainda está em disputa, mas já sabemos que o Palmeiras vai se sagrar bi-campeão, com direito à gol de Obina na final contra o Grêmio! (sim, eu sou vidente!!).

Até a próxima!

ps: Chupa gambá, libertadores o curíntia nunca viu!

sábado, 9 de maio de 2009

Da China à Ipiranga com a São João

Maio começou com uma notícia explosiva: a China tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil. O que pode parecer apenas mais uma linha na pauta do noticiário, na realidade é um reflexo perfeito do atual momento econômico. Desde 1930 os EUA gabava-se em ser nosso maior parceiro econômico. Chamo a atenção a esse episódio, pois, em minha avaliação, caímos em uma armadilha financeira extremamente perniciosa. Uma leitura um pouco mais atenta nos mostra que o flanco exportador do Brasil sofreu uma queda acentuada dos produtos manufaturados. Em contrapartida aumentamos o grau de dependência das vendas das commodities. Nosso perfil de exportações piorou no quesito “quantidade de trabalho e técnica”. Trata-se de um retrocesso histórico de quando ainda se falava em vantagens comparativas e equilíbrio geral. Ora, para nossa surpresa, a China foi a principal compradora desses produtos primários tão necessários à produção industrial quanto o queijo branco à goiabada! Em números, temos que o peso das commodities saiu de 32% em abril de 2008 para 46% em abril desse ano. É um dado representativo, pois embora nossas importações oriundas da China tenham arrefecido (caíram 19%), é salutar questionar que tipo de equilíbrio queremos na balança comercial, pois a linha de importação ainda é basicamente de produtos da indústria de transformação. Nesse sentido não é pura ideologia que brada dos andares da FIESP na Av. Paulista, ou da CNI em Brasília. Se pesarmos em termos desenvolvimentistas, estaríamos abandonando o traçado correto para nos aventurar em mares já navegados e pouco promissores. Vamos pensar sobre isso, pois é relevante para o futuro comercial do país.

Por aqui, semana passada os paulistanos e turistas afins tiveram a oportunidade de vivenciar mais uma “Virada Cultural”. Foi a primeira vez que participei dos principais eventos, pois nas outras participei apenas de sessões isoladas, afastadas do centro. Como bem observou meu irmão Tiago, nós copiamos a ideia do “Noites Brancas Europeias” que ocorriam em Paris, Madri e Roma. Bem, o resultado foi um pouco diferente dos nossos co-irmãos europeus, embora a ideia tenha sido aprimorada. Assisti ao show do John Lord e a Sinfônica de SP, Marcelo Camelo, um recital de piano e um filme frances chamado “Canções de amor” (Chansons d’amour). Em referência a organização do evento, não há sequer uma observação agravante. Os shows começaram e terminaram pontualmente, tanto nos mega-palcos quanto nos menores. Havia um sistema de informações muito eficiente, com quiosques de atendimento e folhetos detalhados da programaçao do evento. Bem, minha crítica é essencialmente sociológica. As ruas estavam imundas, fétidas, a juventude gritava, bebia, se entorpecia. Soou como um flagelo compulsório, como se estivessem dizendo alguma coisa, um misto de condescendência e raiva, gerando, por vezes, um clima tenso, carregado. É difícil versar sobre o que eu vi, mas fica o registro da percepção de que não há uma coesão social, nossa educação é prejudicada pelos desníveis intra e inter-regionais, o que gera esse desassossego interno a cada um de nós. O meu, por temer ser esfaqueado a qualquer momento, o seu, por me considerar hipócrita com essa crítica, o “deles” por incubarem uma raiva + angústia deflagrada aos berros, e o das autoridades, ao tentarem mitigar o racha social nacional com eventos de magnitude abrangente, uma vez que as verdadeiras práticas de agregação tomam tempo, dinheiro e não serão sentidas no dentro do período eleitoral.

Na próxima quinta trataremos do programa habitacional "Minha casa Minha vida" e desvendaremos a história por detrás do nome "Taça Libertadores da América".

Até lá

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O Retorno

Muito bem, camaradas!

Após um longo período de pausa, pretendo retomar as publicações neste blog, porém, agora, em uma tentativa religiosamente pontual. Todas as segundas e quintas-feiras haverá um novo post neste espaço. Decidi mudar o nome do blog, pois acredito que o nome antigo tornou a leitura circunscrita àqueles que se interessam por economia, per supuesto. Sei que não se faz algo tão importante sem alguma solenidade, mas a necessidade e a urgência do tempo se impõem. Foram definidos (por mim) 3 objetivos gerais para este blog:

1 - democratizar a informação;
2 - estimular o debate, as críticas e as leituras;
3 - poder publicar quando eu bem entender "Chupa bambi e/ou Chupa gambá!"

O exercício será da seguinte forma: os textos serão pensados em dois assuntos distintos, como exercício à escrita ampla. Como um folhetim, buscaremos tatear os principais temas em voga. Sendo assim, nos vemos novamente na quinta-feira, quando publicarei conteúdo alusivo ao comércio bilateral entre a China e o Brasil e a virada cultural de São Paulo, a qual participei.

É isso aí. Força e saúde pra todos nós.

Um abraço,

Ministro