sábado, 29 de novembro de 2008

Bancos públicos e gestão da crise

Muito se fala, nas últimas semanas, sobre a intervenção dos bancos públicos federais (BB, CEF e BNDES) sobre a distribuição e irrigação do crédito. Responsáveis por 35 % do crédito no país, essas instituições aumentaram significativamente suas carteiras de crédito nas últimas quinzenas. Somente no mês de outubro, a carteira dos bancos públicos cresceu 5,4% ante 1,8% dos bancos privados. Mesmo com todas as medidas cautelares tomadas pelo BACEN para liberar mais crédito de capital de giro para as empresas, as estatísticas mostram que houve ligeira retração desses movimentos. Ora, em tempos de crise de confiança, os bancos públicos são as instituições mais "confiáveis" do ponto de vista fiduciário. Esse fato, histórico por sinal, reforça a tese leninista da necessidade de um sistema financeiro forte para países em pleno desenvolvimento das estruturas básicas (como o brasil). Sem deixar de dar créditos a Hilferding, não fosse a dominação monetarista do banco central, poderíamos dizer que os bancos nacionais nunca ostentaram posições tão progressistas quanto as atuais, em tempos de democracia.

Isso não significa dizer que os bancos públicos devem manipular o sistema econômico nacional. Sim, pois há quem acredite que "tudo" tem que ser do estado. Em períodos turbulentos, crédito empoçado, confiança abaixo de zero, altas taxas interbancárias, secura do capital de giro, entre outross fatores, fica evidente que não poderia haver nenhuma outra instituição, além do BACEN (caso pudesse, pois a legislação brasileira não permite), para dar sobrevida à economia e manter, minimamente, os níveis de emprego, renda e produtividade, alcançados nos últimos anos.

Por outro lado, urge realizar uma análise meticulosa sobre o período que se estende de 2003 a 2008, no Brasil, com vistas a conhecer o tipo de crescimento e produtividade determinantes para o aumento do produto interno verificado nos últimos anos.

Digo isso, pois o período citado, de extrema bonança do capital especulativo, permitiu inferir falsas análises sobre a long term infrastructure nacional, ou seja, ao acreditar que a telha não ia cair nunca, tocamos a pular e dançar em cima dela. Resta saber se o colchao que preparamos para a queda é de mola e reforçado, ou de espuma velha, oitocentista.

O tipo de reserva cambial que o Brasil logrou ter realizado (de curto prazo especulativa), é um belo indicador de que precisaremos, sem dúvida, de um colchao mais "afofado" e, talvez, do corpo de bombeiros de alerta.

Veremos.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A importância do Sistema Financeiro Nacional

Começamos a semana com duas notícias bombásticas: a fusão entre Itaú e Unibanco e a eleição do camarada Barack Obama. Sem querer ofuscar a vitória de nosso futuro inimigo econômico (sim, pois do ponto de vista regulatório Obama está para os EUA como Lula para o Brasil), creio que a fusão entre dois dos maiores bancos nacionais deve ser maior motivo de preocupação para nós, brasileiros. Despejando viés ideológico na análise, podemos inquirir sobre a necessidade de um sistema financeiro carregado de grandes oligopólios setoriais (Itaú pequenas e médias empresas, CEF habitação e poupança, BB crédito agrícola, Bradesco "varejão", etc.). Ignácio Rangel, Celso Furtado e Roberto Simonsen já preconizavam (inspirados em Lênin e Hilferding), sobre a premência de um sistema financeiro sólido e líquido, dotado de instrumental necessário para irrigar e capilarizar o território com crédito e serviços. Todavia, talvez, e essa é a pergunta desse post, para que se mantenha um sistema financeiro sólido, a existência de bancos gigantes é condição sine qua non? O território não poderia ser melhor distribuído com serviços se houvessem mais bancos locais, atrelados às necessidades de investimentos regionalizados, como é o caso do banco agrícola do norte do paraná, ou das caixas econômicas estaduais do período desenvolvimentista? Não me resta dúvida que um forte sistema financeiro/bancário rígido, líquido e seguro é imprescindível para o desenvolvimento catalisado dos países em subdesenvolvimento, pois o crédito é a principal válvula de escape desses territórios. Porém, vale o esforço verificar em que medida esse fortalecimento é um discurso ideológico/político, ou, como diz nosso professor Armem Mamigonian, uma "disgraceira do imperialismo norte-americano", ou, mudando de lado, faz parte da política de investimento das infra-estruturas essenciais que garantam a possibilidade da cidadania nunca perfilada aqui, em pindorama.

Mãos à obra, estudantada
Delfim taí, até agora
e nós aqui, fazendo nada
coçando, olhando a hora

taxa de juro, consumo
Liquidez e inflação
para não perder o rumo
e salvarmos a nação