sábado, 21 de junho de 2008

A internet, segundo Göethe!

Este comentário pode parecer um tanto contraditório para o local onde está exposto. Todavia uma observação bastante auspiciosa (faltou modéstia aqui) me acendeu a luz vermelha. Nesta sexta (dia 20), enquanto convalecia de um ataque de pneumonia, estive em uma famosa livraria na Av. Paulista (sem jabá!!), na qual costumo flanar com certa frequência.

Entre uma livro e outro, observei uma cena no mínimo curiosa. Um sujeito sentado nos sofás destinados para leitura possuía em mãos um dos livros mais difíceis que já tentei ler (tentei, e só!!): O Fausto, de Göethe. Não fossem os fones de ouvido rajando um som extremamente alto em seus ouvidos, diria que a atitude do rapaz seria apenas "abusada".

A cena me fez concatenar pensamentos com uma notícia que li nesta semana sobre pesquisa que divulgou o aumento das horas em que o brasileiro passa "navegando" na internet. Atualmente, segundo a pesquisa, passamos mais tempo com o mouse nas mãos do que os americanos, japoneses e coreanos, famosos pela disposição em ficar de olho na telinha do computador. Isso significa que cada vez mais deixamos de fazer alguma coisa para passar uma horinha a mais na internet. Entre essas coisas, ler livros, jogar futebol, ir ao cinema, teatro, tacar pedras no lago, tocar a campanhia do vizinho e sair correndo, etc. Ano após ano, estas atividades são trocadas pelo click no mouse e o tilintintar do teclado.

Que me desculpem os defensores da convergência, aqueles que defendem o estudo na internet, leitura de livros junto com conversa no msn, ou, como nosso amigo da livraria, ler clássicos da literatura ouvindo música eletrônica de "altíssima" qualidade, mas a atividade reflexiva exige uma concentração exclusiva, que desqualifica desculpas como " consigo estudar na discoteca" ou "eu rendo melhor ouvindo Prodigy". Se fosse uma benesse tão sugestiva, deveríamos ser os principais exportadores de software, tecnologia da informação, e nossa educação deveria melhorar os índices internacionais. Porém, no mesmo talante que exportamos soja para a China e minério para o resto do mundo, importamos computadores, softwares e tecnologia dos idiotas temperados, pagando um preço bastante alto por isso.

Enquanto os nerds espalhafatosos da Coréia, Japão, Estados Unidos e Alemanha gastam cada vez menos tempo conectados na internet, nós, os espertões dos trópicos nos vangloriamos em universalizar o acesso à internet para alunos, enquanto deixamos a escola sem giz, lousa e assento. Sem falar no professor semi-defenestrado com cara de Bozo na mesa da sala, tentando terminar o trabalho do curso técnico que faz à noite. Sendo assim, as bibliotecas poderiam se tornar centro de convenções para encontros de usuários do MSN. Já imaginaram um saguão cheio de computadores e todo mundo confraternizando online? Deveríamos fazer como Hitler e queimar os livros, pois estes já não nos servem mais. Talvez sirvam para nossos momentos de galhofas no botequim, quando lembramos das coisas estúpidas do passado. Mas, ei, onde está o pessoal?!

Fecharam o botequim. Agora virou um Cyber-Café.

É justo.

4 comentários:

Ministro disse...

Ei, Pato, parece que só vc escreve por aqui...

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

ohh pato.... gostei da crônica.

Lembra bastante as relações hoje.
aiaiai

Baggus Totti disse...

Fecha o Blog e tira xérox da crônica...rs