sábado, 8 de janeiro de 2011

2011 e o espírito republicano

Camaradas,

No melhor estilo "carta aberta ao povo brasileiro", escrevo a primeira (e espero que não única) postagem de 2011.

O Brasil vive um grande momento. Conseguimos eleger a primeira presidenta e, sobre ela, depositamos enorme expectativa. É hora de trabalhar para a continuidade e, se possível, a expansão do processo de desenvolvimento da nação.

Devemos continuar com o otimismo e lutar pela industrialização de setores estratégicos junto a um maior grau de autonomia tecnológica. O sistema educacional deverá ser fortalecido, estabelecendo um diálogo maior com a sociedade, grampeando nos alunos a formação cidadã, para além do currículo escolar.

Da agonia dos anos 1990, chegamos à segunda década do séc XXI com perspectivas nunca previstas. Somos credores de bancos internacionais, temos as maiores empresas agropecuárias do mundo, a maior mineradora, os maiores bancos do hemisfério sul. Mas ainda ostentamos os maiores índices de distribuição desigual de renda, um grande número de pessoas vivendo com menos de US$ 1 por dia, milhões de pessoas que ainda passam fome (assistam Garapa, de José Padilha), um déficit habitacional enorme e pessoas vivendo em condições insalubres nas periferias desestruturadas das grandes metrópoles.

O bônus da recente expansão econômica deverá, impreterivelmente, ser usado para a superação dessas condições inadequadas. Os bancos devem financiar com menor taxa de "usura", os direitos trabalhistas deverão ser ampliados, jamais sufocados; o sistema previdenciário deverá ser expandido para o melhor atendimento universal; as empresas nacionais devem ser fortalecidas; o fomento ao desenvolvimento tecnológico deve ser amplamente apoiado com bases socialmente justas, definindo metas para redução da pobreza intelectual do nosso país.

Devemos aproveitar a herança do ex-presidente Lula e seguir com os rumos da nova república, com fortalecimento das instituições democráticas, com a expansão dos planos participativos, através dos quais se pode alcançar a superação da política "personificada".

Para além do maniqueísmo respingado do império, a república brasileira deverá ser una, ainda que o exercício da oposição seja extremamente necessário. Mas urge superar o fetichismo do poder, por um projeto legítimo de desenvolvimento nacional, onde as forças contraditórias exerçam seu papel no sentido de alavancar a fonte de cidadania na sociedade.

O apoio ao florescimento cultural é imprescindível, pois as expressões iconográficas, literais e musicais são formas representativas do "caldo" intelectual de um país. É onde a polissemia não encontra exagero, onde a manifestação popular ganha cores e raízes com o lugar, com a terra, com a nação.

Um projeto de país somente se concretiza mediante fortalecimento desse conjunto de variáveis.

As condições estão dadas e nos resta, somente, aproveitá-las.

Acredito no Brasil, acredito em nosso desenvolvimento. O espírito republicano está presente. Apoio-me, portanto, fortemente nesse espírito, para, com toda altivez e firmeza, dizer:

Viva o Brasil - e agora sim - o país do futuro.

Força!

Grande abraço e um grande 2011 para nós!