Senhores (as),
A violência com a qual a crise se alastra faz lembrar (não em memória!) os primeiros anos de ressaca da crise de 1929. Naqueles anos, com vistas a salvar a malfadada produção do café, o Brasil mergulhou em uma política anticíclica e tocou os investimentos, perenizados no café, com o intuito de desempoçar a produção gerando renda para estimular consumo e o gasto corrente. Com a quebradeira geral no mundo exterior, o país se viu forçado a estimular a produção interna, desenvolver uma indústria produtiva, aproveitando a situação desfavorável dos países exportadores de produtos acabados (FURTADO, 2004). Bem, a "vantagem do atraso" (RANGEL, 1978) ajudou a catalisar esse processo, contando com volume expressivo de dinheiro público.
Hoje, agora, o Brasil tem a possibilidade de retomar esse processo, desde que use o PAC como instrumento máximo para viabilizar os investimentos em infra-estrutura pesada e produtiva. Dotar o território com sistemas de objetos capazes de alavancar os "efeitos multiplicadores" é um instrumento antigo de usufruto típico dos países subdesenvolvidos. Com efeito, a nova MP que permite que a CAIXA e o Banco do Brasil comprem participações em empresas com dificuldades financeiras, faz parte dessa estratégia de estimular a aceleração do PAC (tautologia!), com solavancos específicos.
No outro flanco, mas não menos importante, ajustar a política monetária para níveis de preços da moeda mais afinados com o crescimento econômico alavancado (com baixa, mas presente, inflação) é outra necessidade fundamental. Com a moeda valorizada, setores da indústria ligado às exportações sofrem para alocarem seus produtos. Mas aqui mora o perigo: não basta distribuir ferramentas para os exportadores. É necessário garantir que o investimento em P&D está inserindo valor e tecnologia de produção, caso contrário voltaremos ao que Celso Furtado chamou de "empresa agrícola do sec XV".
Se o PAC conseguir equilibrar essas assimetrias, teremos um futuro mais próspero para a indústria de bens de consumo nacional, a que mais emprega, mais inova e mais acelera o crescimento econômico.
Segue a discussão.
Abraço
