quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A crise e o PAC

Senhores (as),

A violência com a qual a crise se alastra faz lembrar (não em memória!) os primeiros anos de ressaca da crise de 1929. Naqueles anos, com vistas a salvar a malfadada produção do café, o Brasil mergulhou em uma política anticíclica e tocou os investimentos, perenizados no café, com o intuito de desempoçar a produção gerando renda para estimular consumo e o gasto corrente. Com a quebradeira geral no mundo exterior, o país se viu forçado a estimular a produção interna, desenvolver uma indústria produtiva, aproveitando a situação desfavorável dos países exportadores de produtos acabados (FURTADO, 2004). Bem, a "vantagem do atraso" (RANGEL, 1978) ajudou a catalisar esse processo, contando com volume expressivo de dinheiro público.

Hoje, agora, o Brasil tem a possibilidade de retomar esse processo, desde que use o PAC como instrumento máximo para viabilizar os investimentos em infra-estrutura pesada e produtiva. Dotar o território com sistemas de objetos capazes de alavancar os "efeitos multiplicadores" é um instrumento antigo de usufruto típico dos países subdesenvolvidos. Com efeito, a nova MP que permite que a CAIXA e o Banco do Brasil comprem participações em empresas com dificuldades financeiras, faz parte dessa estratégia de estimular a aceleração do PAC (tautologia!), com solavancos específicos.

No outro flanco, mas não menos importante, ajustar a política monetária para níveis de preços da moeda mais afinados com o crescimento econômico alavancado (com baixa, mas presente, inflação) é outra necessidade fundamental. Com a moeda valorizada, setores da indústria ligado às exportações sofrem para alocarem seus produtos. Mas aqui mora o perigo: não basta distribuir ferramentas para os exportadores. É necessário garantir que o investimento em P&D está inserindo valor e tecnologia de produção, caso contrário voltaremos ao que Celso Furtado chamou de "empresa agrícola do sec XV".

Se o PAC conseguir equilibrar essas assimetrias, teremos um futuro mais próspero para a indústria de bens de consumo nacional, a que mais emprega, mais inova e mais acelera o crescimento econômico. 

Segue a discussão.

Abraço

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Novo velho paradigma


Com o intuito de melhor servir ao interesse público, este blog, a partir de agora, servirá de abrigo para as novas idéias do desenvolvimentismo brasileiro. Ao reunir ingredientes como juventude, vontade, conhecimento incipiente, meio acadêmico, meio popular, música, informações, entre outras variáveis, esse espaço servirá para registrar os passos dessa inquietude que acossa a nós, os intrépidos responsáveis pelo futuro da república.

Inspirados nos clássicos da economia política, da teoria econômica, da geografia e da teoria política, buscaremos, abnegados da redenção, o conhecimento comum, o bem público, o desenvolvimento, o progresso e a aproximação equânime das situações. Com esforço e dedicação, pretendemos pensar no concreto, e para o concreto.

O que vem a seguir é só o começo. Aguardemos a próxima postagem.

Força e coragem. 

"Um estudo da história da opinião é um prelúdio necessário à emancipação da mente." 
                                                                                                                 John Maynard Keynes