sexta-feira, 27 de junho de 2008

Atatürk tupiniquim e califado acadêmico!

Peço licença aos intrépidos guardiões do estabilishment. Responsável pelas principais transformações na sociedade turca quando do fim do império turco-otomano, Kemal Atatürk liderou o país às reformas ocidentalizantes que separam seu país de seus semelhantes árabes e persas (no plano político e social). A secularização e a desislamização (não sei se essa palavra existe), levadas à cabo sob forte imposição, foram as principais características de uma Turquia nova e renascida para o Ocidente. Aboliu-se o véu, o alfabeto árabe passou a conviver com o latino e as escolas passaram a ensinar o modus operandi europeizado.
Em nosso país não se fez necessário transformar a sociedade em um apêndice do velho continente, pois, no limite, nascemos como fiéis bastiões da praxis social semi-europeizada, pois somos fruto de uma relação incestuosa entre Espanha e Portugal. Mas, aqui, ainda vivem os equivalentes modernos dos Paxás (comandantes), do Califado (graduação de honra equivalente aos títulos de nobreza episcopal do Ancien Régime) e da Charia (conjunto de leis de ordem religiosa), extirpados a proclamação da República da Turquia, em 1923. A diferença é que nossos Paxás operam contra a virtuosidade do nosso território, o Califado canarinho se esconde nos muros da universidade (o original se escondia na mesquita) enquanto a Charia operante é uma cereja para o fluxo desenfreado do capital financeiro especulativo. Enquanto nossos decanos se alimentam da concupiscência, nós, jovens, utópicos e sonhadores temos que encontrar o Atatürk que reside em cada alma perturbada com a instabilidade do território.
Mas, companheiros, cuidado, pois como disse nosso amigo Sólon há mais de 2.500 anos atrás, "aqueles que hoje dispõem das maiores fortunas entre nós possuem, também, o dobro da voracidade dos demais, e quem poderá satisfazer a todos?" Se não podemos deixar a pasmaceira reinar, tampouco devemos ceder aos afagos sedutores da riqueza material.


Por mais longe que cheguemos, faça valer cada centavo que a sociedade aplicou em você (sim, vc, uspiano, fflechianio, feano, ou diabo que for), ou então compre logo sua capa e junte-se à trupe aí abaixo.



É, e eu estou bravo mesmo.


sábado, 21 de junho de 2008

A internet, segundo Göethe!

Este comentário pode parecer um tanto contraditório para o local onde está exposto. Todavia uma observação bastante auspiciosa (faltou modéstia aqui) me acendeu a luz vermelha. Nesta sexta (dia 20), enquanto convalecia de um ataque de pneumonia, estive em uma famosa livraria na Av. Paulista (sem jabá!!), na qual costumo flanar com certa frequência.

Entre uma livro e outro, observei uma cena no mínimo curiosa. Um sujeito sentado nos sofás destinados para leitura possuía em mãos um dos livros mais difíceis que já tentei ler (tentei, e só!!): O Fausto, de Göethe. Não fossem os fones de ouvido rajando um som extremamente alto em seus ouvidos, diria que a atitude do rapaz seria apenas "abusada".

A cena me fez concatenar pensamentos com uma notícia que li nesta semana sobre pesquisa que divulgou o aumento das horas em que o brasileiro passa "navegando" na internet. Atualmente, segundo a pesquisa, passamos mais tempo com o mouse nas mãos do que os americanos, japoneses e coreanos, famosos pela disposição em ficar de olho na telinha do computador. Isso significa que cada vez mais deixamos de fazer alguma coisa para passar uma horinha a mais na internet. Entre essas coisas, ler livros, jogar futebol, ir ao cinema, teatro, tacar pedras no lago, tocar a campanhia do vizinho e sair correndo, etc. Ano após ano, estas atividades são trocadas pelo click no mouse e o tilintintar do teclado.

Que me desculpem os defensores da convergência, aqueles que defendem o estudo na internet, leitura de livros junto com conversa no msn, ou, como nosso amigo da livraria, ler clássicos da literatura ouvindo música eletrônica de "altíssima" qualidade, mas a atividade reflexiva exige uma concentração exclusiva, que desqualifica desculpas como " consigo estudar na discoteca" ou "eu rendo melhor ouvindo Prodigy". Se fosse uma benesse tão sugestiva, deveríamos ser os principais exportadores de software, tecnologia da informação, e nossa educação deveria melhorar os índices internacionais. Porém, no mesmo talante que exportamos soja para a China e minério para o resto do mundo, importamos computadores, softwares e tecnologia dos idiotas temperados, pagando um preço bastante alto por isso.

Enquanto os nerds espalhafatosos da Coréia, Japão, Estados Unidos e Alemanha gastam cada vez menos tempo conectados na internet, nós, os espertões dos trópicos nos vangloriamos em universalizar o acesso à internet para alunos, enquanto deixamos a escola sem giz, lousa e assento. Sem falar no professor semi-defenestrado com cara de Bozo na mesa da sala, tentando terminar o trabalho do curso técnico que faz à noite. Sendo assim, as bibliotecas poderiam se tornar centro de convenções para encontros de usuários do MSN. Já imaginaram um saguão cheio de computadores e todo mundo confraternizando online? Deveríamos fazer como Hitler e queimar os livros, pois estes já não nos servem mais. Talvez sirvam para nossos momentos de galhofas no botequim, quando lembramos das coisas estúpidas do passado. Mas, ei, onde está o pessoal?!

Fecharam o botequim. Agora virou um Cyber-Café.

É justo.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

"Relaxa Sr. Presidente, está tudo sob controle!"

Presidente da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) disse ao presidente Lula, após uma reunião de avaliação da administração da crise dos aeroportos, que ninguém deve se preocupar, pois está tudo sob controle e as rotas estão sendo administradas da maneira mais segura possível ("estão sendo" é ótemo).
Para o Ministro da Defesa Nelson Jobim, o fluxo aéreo nacional nunca esteve tão bem controlado como agora:


Talvez o ministro esteja pensando, em primeiro lugar, em como administrar os problemas demográficos em situações emergenciais. Taí uma boa idéia!!

Está pensando em se matar? Compre logo sua passagem aérea e chegue "voando" na outra vida!

domingo, 15 de junho de 2008

Dea Pecuniae

Queria compartilhar com os companheiros este texto, na verdade, a letra de uma música. Não querendo cair na pieguice que se encontra instalada no meio digital, principalmente por este tipo de canal, já deixo a ressalva do caráter filosófico do tema.
Este grupo Sueco, Pain of Salvation, tem se mostrado um
tanto quanto diferente do que estamos acostumados a "Engolir"....vale a pena ir além da música e descobrir a crítica por trás da poesia.


Resumindo, leiam, ouçam no link abaixo e opinem, pois creio que o que vem a seguir proporciona um bom debate.
http://www.youtube.com/watch?v=GP9quQZsC2M

*tradução + do que livre!

Dea Pecuniae (Deusa Dinheiro)

I. Sr. Dinheiro

Srta. Mediocridade:
”Oi doçura. Eu te conheço? Juro que já vi seu rosto... e esses lindos olhos... Sabe, dizem que os olhos são a entrada para alma... Aí está um sorriso! Um pouco tímido, hein? Não quer sair daqui..."

Sr. Dinheiro:
Ei srta. Mediocridade, me desculpe
Você me viu na TV, sou o Sr. Dinheiro
Você quer alguém pra te segurar nos braços
e ligar quando você está na cidade
Alguém pra te acalmar e te deixar segura...
Bem, estou aqui...
...para te desapontar
Porque fora desses carros sexys
e longe dos meus bares da moda
Por trás desses sorrisos...
Srta. Mediocridade:
"...talvez ir a algum lugar..."
Sr. Dinheiro:
...e filtro solar...
Srta. Mediocridade:
"...mais quieto, onde nós pudéssemos... você sabe... bater um papo!"
Sr. Dinheiro:
...e “Viva o sonho!”s**...
Srta. Mediocridade:
"...e nos conhecer melhor..."
Sr. Dinheiro:
Eu sou frio!
Srta. Mediocridade:
"...não?"
Sr. Dinheiro:
E mau!

Srta. Mediocridade:
"Que tal uma voltinha naquele Bentley? Ele é seu, não? Prometo ser uma boa garota!
...ou má...
...o que você preferir!”

Sr. Dinheiro:
Daily Finantial – aquele sou eu no Armani
Tenho
três Mercedes 350, duas Ferraris
Eu poderia ter comprado um país de Terceiro Mundo
com as riquezas que gastei
Mas ei,
todas as teorias economicas modernas afirmam que eu mereço
cada centavo
E quando eu sou a metade menor
é que dividimos a conta
Então aqui vai um brinde a Amigos, Família e Liberdade, Genuidade, um brinde à Felicidade, Sucesso, Boa Imprensa, Nenhum Stress...
Mas acima de tudo...

Um brinde a Mim!
Um brinde a Mim!
Um brinde a Mim!
Nada restará...
Então...
Um brinde a Mim! (Dea Pecuniae: Oh baby, baby)
Um brinde a Mim! (Dea Pecuniae: Eu cuidarei de você)
Um brinde a Mim!
Nada restará...
Nada restará...
...para você

Dea Pecuniae:
"Se você procura realização
um Reino e uma Coroa
Um Paraíso de Voltas Grátis
Estou aqui...
...para te desapontar
Te darei os carros sexys
e um gosto de divinidade
Um lampejo das Estrelas
Imortalidade
Mas a Vaidade
te deixará esgotado e marcado
(Mr. Money: Isso mesmo, me dê!)

Um brinde a Mim! (Sr. Dinheiro: Oh baby, baby)
Um brinde a Mim! (Sr. Dinheiro: Você tomará conta de mim)
Um brinde a Mim!
A mim"

II. Permanere

Sr. Dinheiro:
Mas quando tudo está calado
e as luzes dos bares se apagam
Eu preciso de consolo
porque em algum lugar aqui no fundo
ascendem sentimentos de derrota
E eu odeio perder!

III. Eu brindo

Dizem que é solitário no topo
Então estou tão sozinho quanto se pode estar
Mas eu não me arrependo
Veja, eu escolhi essa companhia
Tenho um time vencedor
Sou Eu, Eu Mesmo e Eu
Podem apostar que é solitário no topo, velhos amigos
E hoje eu contarei a vocês idiotas o porquê!
(Dea Pecuniae!)
Dea Pecuniae
Dinheiro é o que há...
Eles afirmam que eu sou pago por minha grande Responsabilidade
Mas você sabe...
que isso é só uma desculpa esfarrapada
para minha egocentricidade
Eles dizem que somos iguais, eu e vocês
E eu realmente concordo
Veja:
Assim como eu,
vocês vivem para mim
até o dia de suas mortes
Por isso eu brindo a todos vocês que realmente acreditam que eu sou pago por minha grande responsabilidade
Pra todos vocês que caem nessa e pagam as minhas contas
Pra todos vocês que pensam que meu modo de vida não afeta o meio-ambiente
ou a pobreza
Bem, talvez não mais do que marginalmente
Bom pra vocês!
E querem saber?
Um brinde a vocês...
Ergo a minha taça, para aqueles entre vocês que dão suas fatias do bolo de graça para que eu as jogue na cara da democracia
Para aqueles que ajudam a tornar a solidariedade ideologicamente fora de moda
e caridade individualmente idiota, não sábia e característicamente maleável
Eu vos saúdo, pobres bastardos, porque todos vocês consentem enquanto eu sento à vossa mesa
Vamos brindar uma última vez, para dar a todos vocês o maior reconhecimento e crédito de todos os tempos - porque, afinal de contas, vamos encarar, esse é o único "obrigado" que vocês algum dia receberão
Então vamos lá - levantem suas taças!
Um brinde a vocês!
Nada restará - não!
Nada...
...além de dinheiro

sábado, 14 de junho de 2008

Ruy Castro

Companheiros,

Hoje, dia extremamente produtivo (semântica, apenas semântica), lendo jornais de outros dias, atrasado para variar, me deparei com uma coluna fantástica do glorioso e inigualável Ruy Castro. A despeito do tom jocoso com que analisa a sociedade e seus problemas, ninguem é capaz de nos despir (semântica, de novo) com tanta genialidade. Enquanto assistimos a escandalos políticos sortidos, ao mesmo tempo em que incestuosas alianças partidárias são formalizadas para as disputas municipais, e, por último mas não menos importante, enquanto o legislativo se corrói com inúmeras CPI's, deixando de votar e governar o país, o povo se diverte com a oferta de crédito potencializada nos últimos meses. A concupiscência penetra em todos os lares e classes sociais enquanto nossa classe dirigente goza de fazer política (aqui não é mais semântica) na acepção mais crua e fedorenta da palavra.

Como diz o mestre Ruy, o povo tapa o nariz e vai às compras.




crédito é o que não falta...

O mistério do Brócolis




Senhores,


Tomo o direito de perscruta-los sobre uma assertiva um tanto quanto sinistra (não, não é de esquerda), a qual roubei de um forum que costumo verificar. O ilustríssimo figurante que por lá voga, diz o seguinte: "brócolis não pensa, logo não existe." Ora, se sois ser pensante, dotado de impetuosa máquina aceleradora de atividades encefalogramicas, o que nos distingue da marmota? Seria este anfíbio (ou seria um mamífero?) dotado de rápida capacidade de pensamento, vide flagra ao lado, possuidor de raciocínio geométrico tão apurado quanto o nosso? O brócolis, quando aquecido às temperaturas efervescentes teria sua atividade cerebral estimulada pelo borbulhar das moléculas que, assim como nós, nos sobem à cabeça quando esquentamos demais? E a marmota, talvez pelo frio que faz no canadá, teria sua atividade cerebral reduzida a ponto de brincar de pega-pega no meio de uma corrida de fórmula 1?
E, à guisa de conclusão, porque nós, humanos, pensamos pouco quando precisamos e demasiado quando não precisamos? Afinal, se é preciso ter boa inteligência tanto para ir ao todo, quanto ao nada, quem dirá o quanto devemos pensar, com qual intensidade, projeção e operacionalidade?
Sendo assim, viva o Brócolis.
(Inspirado em Blaise Pascal, "Do espírito geométrico e da arte de persuadir")